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Peninha do racismo

Por Bruna Stephanou.

Não entendo da conjuntura futebolística e tenho sérios problemas em relevar fanatismos por times, então vou me ater ao preconceito racial na mídia que se prestou a divulgar o caso do goleiro aranha. Sim, desculpem-me, estou atrasada no assunto, mas não achava que havia mais ângulo a ser explorado nessa história, até que…

O jornalista Eduardo Bueno, mais conhecido como Peninha, chamou minha atenção em uma declaração infeliz. Revelou seu pensamento de que o goleiro Aranha havia demorado muito para perdoar a menina que o chamou de macaco.

Olha, sei que o jornalismo está longe de ser imparcial e que muitas opiniões são dadas sem perguntas acerca das mesmas (como eu faço aqui, por exemplo), mas temos que desmembrar essa questãozinha aí!

Centenas de anos de escravidão, outras centenas de anos de discriminações, marginalizações e violências e esse jornalista branco vêm dizer que um negro demorou muito pra perdoar uma menina branca que o chamou de macaco porque Gandhi perdoou todos seus torturadores?! Tu tá de brication comigo? Qual é o tempo que voismicê acha justo? Meia horinha, tá bom?

Está fácil chegar à unanimidade de que esta declaração, além de compactuar com o preconceito no sentido de ignorar o negro como ser possuidor de sentimentos (acha exagerado? Reflita.), também favorece com o desvirtuamento da atenção, passando a tratar os agentes da situação como meros personagens de uma má história.

Não quero nem saber se vocês sentem pena da garota, ou se Peninha sente peninha da garota. Ela cometeu um crime previsto na Constituição Federal de 88, e peninha não é atenuante de crime algum. Depois, as merdas que ela falou, sinceramente, problema é dela não do Aranha.

Peninha não cometeu crime nenhum, mas foi de caso bem pensado, um declarante de insensibilidade, amoralidade e extrema falta de ter o que falar. Não sei vocês, mas Gandhi perdoou seus agressores, Aranha demorou pra perdoar a menina, Peninha não perdoou Aranha e eu não perdoei Peninha. Ponto.

Explicando o inexplicável

Por Bruna Stephanou.

Antes de mais nada, exponho de onde parto, para não haver dúvidas quanto a minha intenção. Meu ideal político social é o anarquismo, no entanto não sou egoísta. Reconheço a importância de políticas públicas para aqueles que não possuem muitas alternativas.

Não espero que alguém se paute nesse texto pra escolher seu candidato, pelo contrário, isso seria trágico. Apenas demonstro um ponto de vista crítico alegando o que é perceptível nos debates, propagandas e manifestações diversas por aí. Vamos aos candidatos:

Aécio Neves:

Neto de Tancredo Neves, incentivado pelo avô a entrar na política. As manifestações públicas do candidato são pachorras e não o salvam. Tá muito mal assessorado, atirando pra todos os lados. No desespero, tadinho, deixa o cara. Na real to com pena dele (não, não vou levar pra casa). Ele também é neto de Tancredo, já disse isso?

Dilma Rousseff:

Quem está na reeleição sempre paga pelos erros do antigo mandato, mesmo que os ganhos sejam maiores. Tem gente que não reconhece, mas a maioria não reconhece pelo simples fato de não gostar do PT e ponto.  Tipo birra. Sua oratória é ruim e falar com cara de braba não ajuda. Braba não é a mesma coisa que séria. Alguém avisa a moça? E quando tenta ser simpática? Não rola.

Eduardo Jorge:

Totalmente excelente do meu ponto de vista ideológico. Preenche bem os requisitos humanistas, mas não tenho certeza se daria conta da podridão que é exercer política nesse país, no presente, e estamos no fucking presente. Vamos admitir que se ele assumisse seria um caos? Toda a corja passaria por cima dele em um segundo. Candidato que é candidato pensa nisso antes de se propor a representar seu país. Mas vai ver ele já sabe que só é aquele candidato necessário pra preencher a vaga do ingênuo bonzinho que não vai ganhar, mas vai conseguir falar algumas coisas em rede nacional.

Eymael:

Quem? Por que ele faz aquilo com as mãozinhas?

Levy fidelix:

Tudo bem que ele é um perdedor convicto, então já deve estar conformado para essa eleição. Não quero gongar mais ainda o cara. Ganhou muito dinheiro interpretando o chefe do Jetsons. Já tá de boa na vida.

Luciana Genro:

Até quando esse discurso do psol meu deus do céu? Deu de tacar pau nos outros, querida, tenho certeza que és capaz de criar uma fala que não termine com uma sentença agressiva contra a “mesmice” de outros partidos e afirmando que estás aí para “inovar”. Como farão isso? É muito louvável lembrar assuntos pouco tocados, sério, but what the fuck means to your propostas????

Santa, explica pro povo que estudou até a quarta série, trabalha feito mula pra sustentar a família e vai no culto toda semana fazer a fezinha  pra se livrar das desgraceras da vida, o que chongas é capital financeiro?! O dia que tu conseguir tu tá dentro.

Marina Silva:

A candidata da mudança, não para de mudar a louca. Não tem mais nem graça falar mal dela. Mas ficar dizendo que tá com medo tá proibido. O medo foi privatizado pela Regina Duarte durante os gloriosos anos FHC. Quem quiser sentir medo vai ter quebrar o pescocinho pra direita e fazer carinha de Helena de Manoel Carlos, isso tudo depois de pagar as taxas referentes ao copyright.

Poxa continuam matando o Eduardo Campos, mas não podemos matar a atenção dada à esta criatura? Eu que não vou ficar mudando de lado, sou contra Marina em qualquer circunstância.

Mauro Iasi:

Compartilho de seus interesses, mas nem sei o que dizer, sinceramente.

Pastor Everaldo:

Deus nos salve desse apocalipse! Quem se diz representante de deus nas eleições não deve ser considerado, pois a política é a lei dos homens, não divina. Ainda por cima, vamos reiterar que o estado é laico? Obrigada.

Rui Costa Pimenta:

Esse cara é nosso ex colega chato nas cadeiras de humanas que atrapalhava toda aula pra dar discurso, sabe? Total anos 90…

Zé Maria:

Não para de tentar não, queridão. Vai lá que um dia rola.

O rei do camarote e os bobos da corte, é difícil respeitar

Por Bruna Stephanou

Já me sinto meio idiota de escrever sobre isso, mas fazer o quê? O que vira febre, gera opiniões e estas, sim, me interessam.

O Rei do Camarote pode ser um bosta, um gênio, uma reflexão, um representante ou um mero rico brega. Eu acho que é tudo isso, e mais um pouco.

Custo a acreditar que o vídeo veiculado nas redes sociais seja, de fato, uma exibição verdadeira de um status social, sem entrar no mérito de ironias. Porque vamos combinar é genial, só pode ser fake! Mas vamos lidar com a hipótese de que seja verdadeiro…

Por que ele nos irrita tanto? Inveja como o próprio sugere?

Também, poxa, também mesmo! Falo pela minha classe, média, intelectualizada, recém-saída das fraldas e que produz muito lixo pseudo ideológico.

Nós adoraríamos beber champagne. E não sejamos hipócritas, adoramos furar as filas de festas como se fôssemos vip’s, ser amigo do DJ, postar foto de uma comida bonita e, seja lá porque razão, “chique”.

Tem também as pessoas que acham que cultura é algo mensurável e valioso. Tudo bem, nós não achamos, não ligamos pra bens materiais, mas eu li mais, vi mais, ouvi mais, sei mais. Tudo mais. Que estranho, né?

Paro por aí porque não falo por outros (quase nunca). Agora fica por vocês e suas “invejas”.

Mas voltando à irritação.

Ele nos ofende de verdade? Ok, ele é um otário. Mas é claro que não nos ofende. Admitamos, pessoal, nós não estamos fudidos, estamos bem. Temos travesseiros macios e adoramos quando otários aparecem para serem execrados publicamente. Chega de bancar o hostilizado e atingido o tempo todo, isso é muito chato!

COMO ASSIM? Mas eu me sensibilizo pela a maioria da população brasileira que não tem onde cair morblablabla” gritará alguém indignadíssimo. Aham, conta outra. Você se sensibiliza por você mesmo e pela ideia que construiu de você enquanto um ser humano que se sensibiliza com “o sofrimento dos outros”. Mas, fica a dúvida, “o sofrimento dos outros” aumentou? A fila do SUS aumentou com a viralização desse vídeo? As escolas públicas pioraram? Não, já sei, os homicídios triplicaram? Você só tomou conhecimento que temos uma elite otária que caga na cara da sociedade hoje? Ou só precisa ser o MAIS indignado numa competição secreta entre revolucionários sensíveis ao “sofrimento dos outros”?

Pois, isso faz rir também. Porque estou louca pra jogar tudo pro ar e rir de bobagens! É uma sátira, um retrato de nossa sociedade dividida entre “otários”, “invejosos” e “sofredores”, segundo nossas próprias tipificações. E mesmo não concordando com os gostos e ostentações desse otário, valorizemos o humor tosco do produto. O vídeo é genial, conseguiu o que queria: ser o assunto do dia.

Se tu não acha graça, te desperta pena ou indignação, simplesmente lide (ou não) com isso assim como os que acham legal lidam (ou não) com a sua indignação. Lembra da parte em que temos que respeitar os outros? É na diversidade de ideias também.

A representação nossa de cada dia

Por Bruna Stephanou

Essa polêmica, recente, do uso de animais em testes é mais do que chata, não?

É claro que você é contra. Do contrário, é uma pessoa sem coração.

Ora, maltratar um beagle. Gente, um fofinho de um beagle! Não! Não dá pra aceitar. Só eu gostaria de estar em São Roque e ter adotado um, assim, de graça? Porque vamos combinar, o bicho é caro.

Tá, não vou fugir do assunto, vamos desmembrar a questão.

Somos preconceituosos e isso se desdobra em uma compaixão sectarista, veja você, até quando estamos falando de animais. Animal fofinho deve ser defendido. Os nojentos? Bem, pra esses não estamos nem aí, não causam tanta dó no coração, não é verdade?

Ainda tem o fato de apoiarmos problematicamente o que defendemos. Ou defendermos problematicamente o que apoiamos, sei lá. Quer ver?

Eu sou contra as pesquisas com animais, mas sou coerente com essa decisão na minha vida? Você pesquisa as marcas que usa? Todas as marcas que usa? Não, né?

Pois é, essa falta de interesse é intrínseca à personalidade do “tanto faz” e isso acarreta sermos coniventes com tal absurdo. Ou seja, somos apenas discursivamente contra, ou melhor, somos “politicamente corretos”. Na pior acepção do “politicamente”, a que denota a esse comportamento pura representação.

Eu sei que tu não levas listinha da PEA (Projeto Esperança Animal – divulga marcas que usam animais em testes) pro supermercado, então paremos de julgar. (Se você faz isso, meus sinceros parabéns, mas mantenho o “pare de julgar”. Estimule a mudança, é mais produtivo).

Aliás, deu de briga. Compre consciente, do contrário pare de encher a timeline com fotos de animais machucados e frases de impacto. Agradecida.

Uma crônica sobre as nossas bandeiras

Por Bruna Stephanou.

O ser humano é contraditório.

A contemporaneidade é fudida demais. Basta olhar pro lado e prestar a mínima atenção que já nos deparamos com situações, no mínimo, passíveis de críticas. A questão é: o que é certo e o que é errado?

Absolutamente tudo pode ser contestado. Estamos no auge dos nossos ímpetos moralistas e, porque não dizer, esquerdistas. Isso mesmo, nós, classe média universitária de vinte aninhos, estamos maravilhados com temas um tanto ultrapassados. Nossas utopias se reciclam e gritam por institucionalização.

Se nossos pais cansaram e hoje assistem novelas, nós queremos mais. Queremos ser ouvidos. Mas não se enganem, não existe revolução. O Povo que representamos não nos vincula com a defesa de seus direitos, aliás, nem sabem que existimos.

Então vamos parar e raciocinar em vez de sair gritando por outros. A moda agora é o politicamente correto. Mas não adianta vir com bom senso, estamos radicalmente levantando bandeira de tudo quanto é assunto e com o lastro ficamos dando pauladas nas bandeiras alheias. Proselitista, eu? Não! “Apenas sei qual é a verdade”.

Identificou-se? Há uma enxurrada de verdades a serem ditas. Diz baixinho, porque se o outro não concordar, pronto, virou briga facebookiana.

Os valores estão cada vez mais se transformando em dogmas. Que saco isso, deixa meu pensamento em paz! Você é uma má pessoa? Certamente se for, não admitirás de jeito algum.

O crime é a violência posta na ação e na fala, mas com jeitinho tudo acaba virando manchete.