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Sobre eleição e vitimização: as fragilidades de Marina Silva

Por Alessandra Verch.

Há alguns dias, a presidenciável Marina Silva está vendo suas intenções de votos caírem, enquanto Dilma experimenta subida nas mesmas pesquisas. Marina que tinha vantagem de 10% no 2º turno, agora está em empate técnico, com uma vantagem pequena de 1%. Se em função da desproporcionalidade do tempo de propaganda eleitoral disponível para ambas ou por outra variável é difícil predidizer, a questão é que Marina e seus simpatizantes agora vêm afirmando que o PT está realizando uma campanha do medo, atacando sua imagem, utilizando-se de “baixarias” e a difamando. Ou seja, realizando uma campanha violenta contra ela semelhante a enfrentada por Lula na disputa presidencial de 2002. 

Primeiro erro de Marina

Seus simpatizantes e a própria candidata ao fazerem essas acusações se acuam sem demonstrar onde está a difamação. O PT, de fato, está esmiuçando suas falas, suas declarações, suas ações políticas e o seu projeto de forma dura a fim de sair vitorioso no pleito eleitoral. Falta à Marina mostrar onde está a baixaria que tanto enxerga. Falta à Mariana Ir para o embate e aceitar que eleição não é conversa de comadre.

Todavia, ironicamente, quando Marina vem a público dizer que o PT escolheu uma pessoa para roubar a Petrobras durante 12 anos, a mesma não enxerga “baixaria” em suas atitudes. Marina proferiu uma opinião radicalizada com o intuito evidente de enfraquecer sua oponente e seu partido. Assim, emitiu um juízo de valor que encontrou eco no eleitorado que pretende conquistar. Sua afirmação não corresponde a nada além de sua legítima opinião. Não é fato inconteste, é nada mais do que percepção. Não poderíamos atribuir a isso a pecha de baixaria? Agora, por que afinal o PT está sendo “baixo” e Marina está sendo “elevada”? Porque o PT é contra a independência do banco central e utiliza o seu espaço legítimo para argumentar, justificar e, sim, dramatizar seu posicionamento? Porque (agora) se posiciona a favor da criminalização da homofobia e questionou duramente o comportamento de Marina ao se dobrar a 4 tuítes de um pastor evangélico? Isso não é desmoralizar uma pessoa, isso é banal em um embate político, em que cada lado utiliza e explora as fraquezas do outro e defende com argumentações contundentes o seu posicionamento.  Marina parece errar sistematicamente ao escolher estratégias frágeis e incoerentes em sua campanha, apelando sempre para a piedade do eleitorado ao mostrar-se frágil e indefesa diante dos “velhos tubarões” da política. 

Segundo erro de Marina

Marina tenta se colocar em situação favorável frente a seu eleitorado ao se equiparar a Lula, tanto em seu projeto quanto na perseguição sofrida. Por ingenuidade, má assessoria ou erro tático, a candidata acreditou nessa estratégia para retirar votos de Dilma e não calculou o que parecia ser o desfecho evidente: obrigar Lula a entrar de vez no jogo e negar veemente a equiparação.

Lula estava à margem da disputa, não havia se manifestado de forma contundente e em certo ponto até parecia que não iria participar ativamente da campanha. Entra em cena motivado, fundamentalmente, pelo uso político de sua imagem que a opositora de sua candidata fez. Ora, Lula está vivo, emite seus juízos, era óbvio que a partir do momento que Mariana tentasse capitalizar seu capital político ele entraria em cena para defender seu partido, seu projeto político e, claro, sua candidata frente à tentativa da oponente de enfraquecê-la. Tentativa ingênua de Marina, reação óbvia de Lula. Foi Marina quem estimulou a entrada decisiva de Lula ao tentar desviar parte do capital político dele para si, o evocando sistematicamente e usando recursos discursivos para se vender como a herdeira legítima do “governante com a maior taxa de aprovação da história da democracia brasileira”. Ingenuidade acreditar que Lula permitiria tal usurpação. Aliás, até permitiu, mas só até o exato momento em que isso começou a desfavorecer Dilma.

Terceiro erro de Marina

Ao invés de utilizar seu escasso tempo para construir sua imagem, justificar seus posicionamentos e MOSTRAR o erro adversário, Marina numa estratégia imatura se satisfaz em afirmar que está sendo perseguida pelo PT e por Lula (aquele que ao que parece deveria amá-la). Ao se negar a realizar o debate, a candidata se vitimiza e acumula mais um erro em sua campanha. E Dilma cresce e Marina cai.

“Estão usando de baixaria. É baixaria dizer que a independência do Banco Central gerará fome e desemprego”, acusam. Pois essa é uma conclusão amplamente difundida por diversos economistas. Presentes em várias teses econômicas. Evidentemente, há economistas plenamente a favor da independência. Faz parte do jogo. Economia é política também. Há diversos economistas favoráveis à medida e outros diversos economistas contra. Escolhemos um lado, argumentamos nosso ponto de vista e refutamos o do adversário. Ponto. Não se trata de baixaria, trata-se do debate necessário para conhecer os candidatos. A baixaria está na fuga do debate ou na tentativa de despolitizar a política.

Como assim despolitizar a política?

Eis o quarto erro de Marina. Ao se auto-atribuir o status de “novo”, da candidata “certa”, da “mudança”, da “esperança”, quando seu projeto é tal qual o projeto implementado por FHC ou ainda mais radical (idêntico as medidas conhecidas como Consenso de Washington – ou neoliberais[1] que FHC não levou a cabo plenamente), Marina despolitiza o debate. Esconde-se atrás de adjetivações vazias que visam produzir uma pretensa neutralidade e assim negar o conflito. Política é conflito, negar isso é uma baixaria. É impossível ser contra e a favor a Reforma Agrária. É impossível ser contra e a favor a tributação sobre grandes fortunas. É impossível levantar a bandeira ecológica saciando os interesses de latifundiários e da indústria do agrotóxico. “O cobertor é curto”, já disse Dilma. Marina não parece representar o novo, nem tampouco o certo, Marina representa um projeto político específico e bem conhecido, mas ao se negar informar ao eleitor que projeto é esse a candidata despolitiza o debate.

Bater e correr do embate, usurpar a imagem de político vivo e em lado oposto para se fortalecer, ter síndrome de perseguição em uma disputa eleitoral para chefe de Estado e afirmar que agradará a “gregos e troianos” transformam Marina em uma candidata que parece estar na fina flor da adolescência. Seus oponentes estão fazendo o que era esperado: mostrar as fragilidades de Marina. Mais do que isso, é DEVER deles fazê-lo para que a população conheça suas opções.

Aécio merece mais o segundo turno…


[1] Para saber mais sobre as medidas neo-liberais clique aqui

Explicando o inexplicável

Por Bruna Stephanou.

Antes de mais nada, exponho de onde parto, para não haver dúvidas quanto a minha intenção. Meu ideal político social é o anarquismo, no entanto não sou egoísta. Reconheço a importância de políticas públicas para aqueles que não possuem muitas alternativas.

Não espero que alguém se paute nesse texto pra escolher seu candidato, pelo contrário, isso seria trágico. Apenas demonstro um ponto de vista crítico alegando o que é perceptível nos debates, propagandas e manifestações diversas por aí. Vamos aos candidatos:

Aécio Neves:

Neto de Tancredo Neves, incentivado pelo avô a entrar na política. As manifestações públicas do candidato são pachorras e não o salvam. Tá muito mal assessorado, atirando pra todos os lados. No desespero, tadinho, deixa o cara. Na real to com pena dele (não, não vou levar pra casa). Ele também é neto de Tancredo, já disse isso?

Dilma Rousseff:

Quem está na reeleição sempre paga pelos erros do antigo mandato, mesmo que os ganhos sejam maiores. Tem gente que não reconhece, mas a maioria não reconhece pelo simples fato de não gostar do PT e ponto.  Tipo birra. Sua oratória é ruim e falar com cara de braba não ajuda. Braba não é a mesma coisa que séria. Alguém avisa a moça? E quando tenta ser simpática? Não rola.

Eduardo Jorge:

Totalmente excelente do meu ponto de vista ideológico. Preenche bem os requisitos humanistas, mas não tenho certeza se daria conta da podridão que é exercer política nesse país, no presente, e estamos no fucking presente. Vamos admitir que se ele assumisse seria um caos? Toda a corja passaria por cima dele em um segundo. Candidato que é candidato pensa nisso antes de se propor a representar seu país. Mas vai ver ele já sabe que só é aquele candidato necessário pra preencher a vaga do ingênuo bonzinho que não vai ganhar, mas vai conseguir falar algumas coisas em rede nacional.

Eymael:

Quem? Por que ele faz aquilo com as mãozinhas?

Levy fidelix:

Tudo bem que ele é um perdedor convicto, então já deve estar conformado para essa eleição. Não quero gongar mais ainda o cara. Ganhou muito dinheiro interpretando o chefe do Jetsons. Já tá de boa na vida.

Luciana Genro:

Até quando esse discurso do psol meu deus do céu? Deu de tacar pau nos outros, querida, tenho certeza que és capaz de criar uma fala que não termine com uma sentença agressiva contra a “mesmice” de outros partidos e afirmando que estás aí para “inovar”. Como farão isso? É muito louvável lembrar assuntos pouco tocados, sério, but what the fuck means to your propostas????

Santa, explica pro povo que estudou até a quarta série, trabalha feito mula pra sustentar a família e vai no culto toda semana fazer a fezinha  pra se livrar das desgraceras da vida, o que chongas é capital financeiro?! O dia que tu conseguir tu tá dentro.

Marina Silva:

A candidata da mudança, não para de mudar a louca. Não tem mais nem graça falar mal dela. Mas ficar dizendo que tá com medo tá proibido. O medo foi privatizado pela Regina Duarte durante os gloriosos anos FHC. Quem quiser sentir medo vai ter quebrar o pescocinho pra direita e fazer carinha de Helena de Manoel Carlos, isso tudo depois de pagar as taxas referentes ao copyright.

Poxa continuam matando o Eduardo Campos, mas não podemos matar a atenção dada à esta criatura? Eu que não vou ficar mudando de lado, sou contra Marina em qualquer circunstância.

Mauro Iasi:

Compartilho de seus interesses, mas nem sei o que dizer, sinceramente.

Pastor Everaldo:

Deus nos salve desse apocalipse! Quem se diz representante de deus nas eleições não deve ser considerado, pois a política é a lei dos homens, não divina. Ainda por cima, vamos reiterar que o estado é laico? Obrigada.

Rui Costa Pimenta:

Esse cara é nosso ex colega chato nas cadeiras de humanas que atrapalhava toda aula pra dar discurso, sabe? Total anos 90…

Zé Maria:

Não para de tentar não, queridão. Vai lá que um dia rola.

#9: reeleição e tempo de mandato

Por Alessandra Verch.

A reeleição e o tempo de mandato tem se tornado dois dos grandes problemas para os correligionários do ex-chefe do Executivo Federal, Fernando Henrique Cardoso, visto que sua Emenda à Constituição tem sido criticada tanto por seus opositores, quanto por seus colegas de partidos.

O QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DIZ SOBRE A REELEIÇÃO E O TEMPO DE MANDATO

O texto original da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 82, definia o seguinte: “o mandato do Presidente da República é de cinco anos, vedada a reeleição para o período subsequente, e terá início em 1º de janeiro do ano seguinte ao da sua eleição”.

No entanto, já em 1994, o legislador aprovou um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) alterando o tempo de mandato para quatro anos (Emenda Constitucional de Revisão 5/94). E em 1997, às vésperas do fim de seu mandato, Fernando Henrique Cardoso (FHC) encaminhou ao Poder Legislativo outra PEC visando liberar a reeleição. Após mobilizar seu partido (PSDB) no Congresso, FHC conseguiu aprovar a Emenda Constitucional nº 16/1997 que alterou o art. 82 e, também, o parágrafo 5º do art. 14, da CF.

O texto vigente agora diz que “o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente”.

REFORMAS POLÍTICAS OPORTUNISTAS

Segundo a tipologia das reformas políticas proposta pelo cientista político Lúcio Rennó em seu artigo Reforma Política: consensos necessários e improváveis, as Emendas à Constituição citadas devem ser compreendidas como verdadeiras reformas políticas visto que promoveram mudanças no sistema político.

Ainda segundo a tipologia do autor, a Emenda Constitucional nº 16/1997 foi uma reforma de abrangência pontual, pois alterou apenas um subsistema político (o sistema eleitoral), mas profunda, por ter provocado alterações drásticas no mesmo. Todavia, o autor defende que “a mudança na regra eleitoral para os postos executivos claramente teve um lado casuístico, sendo aprovada em ano pré-eleitoral (1997) e beneficiando diretamente aos que estavam no poder, como o então presidente da República”.

Em notícia do jornal Estadão, Julia Duailibi e Gabriel Manzano afirmaram que a reeleição (ao lado das privatizações) vem se tornado o “patinho feio” do legado FHC, isso porque tanto Aécio Neves, quanto Geraldo Alckmin e José Serra estão, de forma constante, se posicionando contrariamente à reeleição e favorável ao antigo texto da Constituição, com mandato de cinco anos.

Todavia tal comportamento parece incorrer em novo casuísmo e oportunismo, tendo em vista que a reeleição acabou por beneficiar mais ao PT do que ao próprio PSDB. Isso torna-se um obstáculo político a ser superado pela cúpula do PSDB. Pensa-se em nova mudança não para o aperfeiçoamento do sistema político brasileiro, objetivo que deveria nortear toda e qualquer reforma política, mas para benefício próprio, no caso, para benefício do bloco liderado pelo PSDB.

O tema da reeleição é um tema tratado com alguma frequência de forma oportunista. Aqueles que, no momento, não se privilegiam com a proposta tendem a ser contrários à medida, aqueles que se beneficiam se mostram favoráveis. Contudo, boa parte da sociedade civil tem se mostrado favorável à reeleição e sabendo utilizá-la conforme seus interesses, punindo ou recompensando seus candidatos.

COMO A SOCIEDADE SE POSICIONA SOBRE O TEMA

A organização Reforma Política Já (RPJ) se coloca, expressamente, favorável à reeleição. Já a Plataforma pela Reforma do Sistema Político nada diz quanto à medida, apenas se mostra contrária ao abandono de cargo eletivo para disputa eleitoral. “Defendemos que, assumido um mandato (no Executivo ou no Legislativo), os mandatários sejam proibidos de disputar novas eleições sem terminar os mandatos para o qual foram eleitos/as, a não ser que renunciem ao mandato” é o texto que consta na Plataforma. No momento, as propostas de reforma política em debate no Congresso não põem em xeque a reeleição.

Importante destacar ainda a posição do cientista político Lúcio Rennó. Segundo ele a aprovação da reeleição não gerou nenhum “efeito perverso” no sistema político. Para o autor, efeitos perversos são os efeitos negativos que são impossíveis de serem antecipados, mas são conhecidos posteriormente com a efetivação da mudança.

Já com relação ao tempo de mandato, o projeto de reforma política proposto pelo Dep. Henrique Fontana (PT/RS) previa a coincidência das eleições determinando que os prefeitos eleitos a partir de 2016 tivessem seis anos de mandato para que as eleições municipais seguintes coincidissem com a eleição para os demais cargos, mas após essa eleição o mandato dos prefeitos voltaria a ser de quatro anos. Assim sendo, a partir de 2022 haveria eleição única com 4 anos de mandato para todos os cargos do executivo.

O projeto do deputado do petista (que integra outros temas  já tratadas nessa série de artigos) está percorrendo as cidades brasileiras em busca de assinaturas, pois a estratégia agora é transformá-lo em projeto de iniciativa popular, tendo em vista os obstáculos para ser votado no Congresso.

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