Arquivo da categoria: Política & Cidadania

Bandido bom é bandido morto?

Por Alessandra Verch.

Lembram do Marcos Rogério dos Santos Guedes, o Porcão, um dos líderes dos “bala na cara”? Sabem onde ele está?
Na vala.

Lembram do Willian da Silva de Mello, o Nego Blade, investigado por pelo menos 5 homicídios? Sabem onde ele está?
Na vala.

Lembram do casal Kellen Monteiro Dorneles e Luis Antônio Rosa da Fé, o dindinho? Sabem onde eles estão?
Na vala.

Lembram do Anderson Henriques da Silva, preso por assalto e roubo de veículo? Sabem onde ele está?
Na vala.

Júlio César de Moura Santana, assaltante e homicida?
Na vala.

Cláudio Eduardo Bandeira da Silva, traficante, assaltante e homicida?
Na vala.

Fabiano Lemos, traficante e homicida?
Na vala.

Gérson Renato Dias Fagundes, o Gersinho?
Na vala.

Diego Pavelak, o Morto?
Na vala.

Os suspeitos pela morte de mais uma mãe na capital gaúcha?
Na vala, amanhã ou depois.

Não estão vendo?

Eles nasceram na vala.

Quando a gente cansar de matar e morrer poderíamos sentar e discutir políticas públicas. “Mandar pra vala” não está resolvendo.

Anúncios

O que fazer com pneus inutilizados?

Por Alessandra Verch.

Você sabia que os pneus utilizados podem causar sérios problemas ambientais?Aliás, o descarte incorreto de pneus é um dos principais problemas ambientais modernos. Pois é, esses objetos extremamente necessários, tanto no transporte de passageiros quanto no transporte de carga, por serem volumosos e de estrutura complexa (são compostos de borracha, aço e tecido) precisam ser armazenados em condições apropriadas para evitar os riscos de incêndio e a proliferação de mosquitos e roedores transmissores de doenças. Para piorar a sua reciclagem é praticamente impossível, devido a complexidade de sua estrutura, e eles não podem ser destinados a aterros por apresentarem baixa compressibilidade e degradação lenta. Devido a isso uma tendência mundial desastrosa vem se popularizando: o abandono de pneus em cursos d’água.

Segundo um artigo publicado na revista Limpeza Urbana, de autoria de Sandra Bertollo, José Fernandes Júnior, Romulo Villaverde e Delchi Migotto Filho, se houvesse legislação e estímulo governamental os pneus poderiam ser “aplicados em obras de contenções nas margens dos rios para evitar desmoronamentos; na construção de equipamentos para parques infantis; no controle de erosão, etc. Inteiros podem ainda ser utilizados como combustível em fábrica de celulose e papel, em fornos de cimento e em usinas termelétricas”.

Especialistas em gestão de resíduos afirmam que pneu não é lixo e, muito embora, a reciclagem que visa recuperar as matérias originais seja inviável, a incineração de pneus em fornos de cimento é um gerador de energia. O problema é que esse processo gera, também, gás carbônico contribuindo para o aumento do efeito estufa terrestre. Ou seja, é um problema complexo.

No entanto, nós cidadãos usando a criatividade podemos buscar formas de reutilização do nosso próprio material inutilizado e os pneus podem ser transformados em objetos úteis e bonitos.

Dá uma olhada nas imagens que selecionamos e que evidenciam as possibilidades de reutilização de pneus:

 

10 dicas para diminuirmos a nossa pegada ecológica

Por Alessandra Verch.

Sabemos que mudanças de comportamento e ideias fazem parte de um longo processo de amadurecimento e que somos pouco estimulados a empreender. Então, para começarmos aqui vão dez dicas ecológicas básicas e fáceis de incorporarmos no dia a dia e que fomentam a reflexão[i]. Dessa forma caminhamos para a cidadania (planetária) e diminuímos a nossa tão marcada pegada ecológica.

1) Compre apenas eletrodomésticos que tenham avaliação “A” no selo Procel

O Selo Procel de Economia de Energia, ou simplesmente Selo Procel, foi instituído por Decreto Presidencial em 8 de dezembro de 1993. É um produto desenvolvido e concedido pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. O objetivo do Selo Procel é orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética, além de proporcionar economia na nossa conta de luz.

2) Desligue o monitor do computador ou feche o notebook quando sair da sala

stock-footage-multi-ethnic-students-researching-on-computers-in-technology-classroom-with-caucasian-young-collegeSegundo estudo realizado pela faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da UNICAMP, o monitor é o componente que mais consome energia de um computador, podendo chegar até a 50% da energia consumida. Diversos estudos já foram realizados a fim de descobrir quanto representa o desperdício gerado pelo consumo inadequado do computador. A Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO) estima que o desperdício atinge cerca de R$ 10 bilhões por ano em petróleo, eletricidade e gás natural, no ambiente de trabalho.

3) Retire os aparelhos eletrônicos do stand-by

Parece difícil de acreditar, mas aquela luzinha vermelha que indica que o aparelho está em “repouso” consome de 15 a 20% da energia total. Se você não for utilizá-lo o recomendado é desligar da tomada. Mais que economia no bolso é o fim de um tipo muito comum de desperdício de energia elétrica.

4) Utilize o transporte público818279_28891657Além de diminuirmos o fluxo das ruas e avenidas desafogando o trânsito e tornando nossa vida menos estressante, a opção pelo transporte público é uma opção cidadã, pois diminuímos a liberação de CO2 na atmosfera, além de diminuirmos o consumo de combustíveis fósseis, cuja produção é altamente agressiva (para saber mais assista a essa animação ). Exigir a melhoria contínua dos transportes públicos é uma obrigação de todo cidadão e cidadã.

5) Ande mais a pé ou de bicicleta

Algumas distâncias são curtas e podem ser tranquilamente feitas a pé. Além de diminuirmos a emissão de CO2 contribuímos para a promoção de nossa saúde física. O uso de bicicletas é um fenômeno que vem se popularizando cada vez mais e é, igualmente, excelente para nós e para nosso planeta.

6) Não “varra” nada com água

É cada vez mais incomum, mas ainda encontramos essa “preciosidade”. Água não serve para varrer, vassoura sim. Se o objetivo é limpar a calçada utilize um balde com um pouco de água, o produto de limpeza da sua preferência e uma vassoura. Mangueira não é vassoura e quando molhamos a nossa calçada, na realidade a sujamos mais, pois não podemos impedir o fluxo até que a mesma seque. “Varrer” com mangueira é um método pouco útil para limpar calçadas.

7) Conserte imediatamente os vazamentos

Uma torneira pingando gasta em média 45 litros/dia. Em filete são 180 a 350 litros/dia. É um desperdício enorme, podemos evitar agindo rapidamente e com consciência.

8) Evite o consumo de água engarrafada

861017_52371761

Anualmente são consumidos bilhões de toneladas de plásticos para essas garrafas. Antes de sair de casa, leve uma garrafinha de vidro com água potável para o seu consumo e reabasteça nos bebedouros públicos. Assista, baixe e difunda o vídeo “A história da água engarrafada” (Disponível aqui).

9) Opte por produtos com poucas embalagens, recicle o lixo e se possível composte alimentos orgânicos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil descarta a cada dia 230 000 toneladas de detritos – e mais da metade disso corresponde a lixo doméstico. Ao comprar opte por produtos a granel ou com poucas embalagens. Alimentos industrializados não são só ricos em gorduras e sódio, são ricos em embalagens inúteis também, prefira os mais saudáveis para você e para o planeta. Encaminhe os materiais domésticos recicláveis para cooperativas de reciclagem. A reciclagem gera renda para diversas famílias e deve ser praticada. Alguns países importam “lixo”, o que colocamos nas lixeiras é transformado em dinheiro em diversos locais.

414128_8918

Os restos de sobras de alimentos, conhecidos como lixo orgânico ou úmido, são compostos principalmente por água (98% da massa de uma folha de alface é água, por exemplo). No processo de decomposição nos lixões, parte desta água escorre para o solo, o que é chamado de chorume (aquele líquido que produz um cheiro fétido e fica no fundo do saco de lixo). Este chorume se infiltra no solo, levando consigo outros materiais que estão naquele meio (venenos, metais pesados, produtos de limpeza, etc.) até atingir o lençol freático, o qual formará os rios de onde coletamos a água poluída para beber. Os produtos orgânicos também podem ter um fim mais útil e menos nocivo. A compostagem caseira permite que até um minúsculo apartamento receba uma composteira eficiente e sem odores desagradáveis, de maneira higiênica e, o melhor, produzindo adubo para seus vasos sem poluir os lençóis freáticos. A compostagem é um processo natural, impulsionado por bactérias aeróbicas (que necessitam de oxigênio) e micro organismos geradores da vida que utiliza a matéria orgânica – restos de vegetais (frutas, cascas, pedaços de legumes e verduras, sobras, etc.) e animais (para quem ainda come eles) – e a transforma em húmus através do processo da decomposição (para saber mais veja o vídeo “adubando a vida” aqui).

10) Frequente as feiras agroecológicas

Crie o hábito de comprar alimentos orgânicos sem agrotóxicos. Além de benefícios para a saúde individual, diminuímos a poluição de terras e rios e cooperamos com o desenvolvimento local através do consumo de produtos alimentícios oriundo da agricultura familiar. Se o produto orgânico for comprado diretamente com o produtor, ele pode sair mais barato do que o produto convencional contaminado do mercado. Veja aqui onde encontrar a feira mais próxima de você.É muito importante salientar que, para além da pegada ecológica, quando se fala em Natureza ou em Meio Ambiente não nos referimos apenas à cobertura vegetal e à fauna do Planeta Terra, estamos falando também de populações humanas, de comunidades, de pessoas, ou seja, de seres humanos que são atingidos pelas nossas escolhas e têm suas vidas findas pela simples compra de uma joia ou de um armário de madeira. A metodologia utilizada para o cálculo da “pegada ecológica” é extremamente útil e eficiente, mas não comporta indicadores sociais que são indispensáveis para o desenvolvimento sustentável, logo para relações mais solidárias e respeitosas entre humanos e natureza.Apresentação1


[i] Parte das dicas foram retiradas do “Almanaque para práticas sustentáveis”, que está disponível online em diversos sites da web.

Qual é a sua pegada ecológica? Descubra quantos Planetas Terra são necessários para sustentar seu estilo de vida

Por Alessandra Verch.

Você sabia que todos nós deixamos pegadas por onde andamos, certo? Para nos locomovermos, ou melhor, para vivermos precisamos de um número cada vez mais ilimitado de recursos de vários tipos, como bens não duráveis, bens duráveis, produtos alimentares, serviços de comunicação, transporte, infraestrutura etc. Pois bem, cada recurso que nós julgamos necessário para nossa vida causa um tipo de impacto no meio ambiente. Segundo a organização WWF pegada ecológica é “uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta”.

Com isso, nossa pegada pode ser mais “profunda” ou mais “sutil”, a depender de nossa vontade. Se atentarmos para detalhes de nossa vida e de nosso consumo podemos, facilmente, diminuir o impacto negativo que causamos no planeta.

Quantas vezes você come carne por semana? Onde você costuma comprar seus alimentos? Como foi produzido o bem comprado? Essas são questões-chave para calcularmos a nossa pegada ecológica. Faça o teste, rapidamente, e descubra qual é a sua pegada clicando aqui.

Quando diminuímos a nossa pegada ecológica estamos buscando formas menos agressivas de conviver no ambiente em que estamos inseridos. Mas o que significa formas menos agressivas? É simples. Quando antes de comprarmos uma estante de madeira, por exemplo, buscamos informações sobre a sua origem e como foi produzida, eliminando marcas ou empresas que possuem fornecedores que utilizam madeiras oriundas de zonas de preservação ambiental, ou ainda madeireiras que atuam coagindo populações tradicionais e se utilizando de fortes ameaças (ou mesmo assassinatos) a fim de obter sua matéria-prima sem serem denunciadas, estamos agindo de forma menos agressiva, ou melhor, estamos agindo de forma mais responsável e estamos agindo com cidadania. É a cidadania planetária.

É óbvio que todo o nosso cotidiano e o nosso estilo de vida, não apenas as decisões políticas e as práticas empresariais, são responsáveis pela depredação que o meio ambiente vem sofrendo. Muito embora nosso impacto seja em uma escala bem menor, somos nós, consumidores, que sustentamos empresas irresponsáveis e pouco ecológicas. Somos nós consumidores que prezamos ir ao supermercado ao invés de ir à feira. É, portanto, inadiável nos modificarmos e modificarmos nossas práticas cotidianas.

Refletir sobre o nosso consumo, o diminuindo, o transformando e buscando uma convivência solidária e responsável é o primeiro passo para diminuirmos a nossa pegada ecológica, ou seja, para diminuirmos os danos que nosso estilo de vida causa à nossa Terra.

________________________

Se você curte a Pitanga e quer contribuir para a manutenção do blog, você pode fazer uma doaçãozinha qualquer para a conta a seguir. Ajuda vai! Vamos manter o blog vivo!

 

Banco do Brasil

AG: 1899-6

Conta: 44.565-7

Alessandra G. Fagundes Verch

(cpf: 011.083.270-10)

O BB que está em nós

blackblockPor Alessandra Verch.

Os Black Blocs (BB’s) são a pauta da vez e suas práticas estão na berlinda devido ao linchamento sofrido pelo coronel Reynaldo Simões Rossi, da Polícia Militar, ocorrida na noite de sexta-feira, após mais um protesto em São Paulo. Enquanto a maioria da população rechaçou veementemente a atitude dos BB’s, outros satirizaram a “solidariedade seletiva” que a presidenta Dilma prestou ao policial, ridicularizando o fato dela não externar solidariedade às agressões sofridas pelos manifestantes e impetradas pelos policiais militares e exigindo a imediata desmilitarização da PM. Mas, quem está certo nessa discussão toda? A ação é justificada?

O fato da tática de luta (?) BB vingar nos grandes centros urbanos e não nas cidades mais pobres é bem preocupante e sintomático, pois acompanha o próprio movimento da violência, ela é mais acentuada nas cidades mais desiguais e não nas mais pobres e deficientes em serviços públicos e recursos. Ou seja, a violência não necessariamente carrega um sentimento de justiça, ela é mais uma consequência de um certo sentimento de impotência, do fato de que alguém tem e esse alguém não sou eu. Não vejo coletivismo, não vejo anseio por justiça, não vejo qualquer tipo de luta, vejo, sim, raiva, ódio e grunhidos isolados e desconexos.

Mas, quão diferentes somos, afinal, dos BB’s?

black-bloc-rio-de-janeiro-20130812-26-size-598Usamos de violência para dizer que aquilo que alguém (ou alguma instituição) fez é inadmissível e o inadmissível merece (é compreensível/é justificado/entende-se, há diferença profunda nos termos?) ser repreendido com violência. O problema não é só a reação em si e o fato dela ser reflexo/reprodução/destruição e nunca proposição, nunca o novo, o problema me parece ser a violência em si. A violência que nos constrói e nos define, que está de forma, infelizmente, legítima nas instituições democráticas, mas que está em intensidade apenas diferente em um “seu merda, cala a boca”, ou nos bullying escolares, ou nas respostas jocosas, ou nas respostas estúpidas direcionadas a quem discorda de nós no Facebook, ou , de forma mais que evidente, em uma “vai tomar no…” ou , ou, ou. É tudo violência.

O fato é que (me parece) estamos pouco preocupados em dialogar, nosso interesse maior parecer ser humilhar mesmo, ganhar do outro, provar que estamos certo, provar nosso ponto de vista, extravasar nossa raiva. Mas de onde ela vem? É, mesmo, um sentimento profundo de injustiça, de insatisfação com a injustiça social que nos faz sentir vontade (e no direito) de mandar alguém “tomar no…”, no Facebook? Acho difícil.

Qualquer motivo é motivo para ser violento. O argumento parece superior ao meu? “É um academicista imbecil abusando de um discurso de poder”. O argumento parece inferior? “lamento, mas você ou é um ignorante ou não deve ter tanto conhecimento sobre o assunto, informe-se”. A pessoa é de orientação à esquerda? “vândalo, ignorante, revolucionário de butique, você é ridículo”. A pessoa é de orientação à direita? “Coxinha, playboy, larga fora seu bosta, imbecil, reaça de merda”. A pessoa critica uma abordagem feminista? “machista, tosco, tá culpabilizando a vítima, as mulheres são sempre vítimas, seu ridículo”. A pessoa é contra o aborto? “Sociedade hipócrita, machista, ridícula, to louca para fazer um abortinho só para largar para esse bando de tosco”. A pessoa defende uma religião? “Bando de ignorantes com merda na cabeça, vocês não usam o cérebro, morram”. A pessoa não acredita em Deus? “hipócrita cretino, depois vai pedir milagre, vá de retro. demônio, você é corja”.

Enfim… Ao fim e ao cabo só a banalização da violência que evidencia a nossa infantilidade, nossa insensatez e nossa covardia, e estas cada vez mais democratizadas, cada vez mais ocupando espaços.

É o monopólio do uso da violência sendo democratizado. Somos nós, infelizmente, cada vez mais militarizados.

Dá uma olhada na animação que produzimos sobre as violências rotineiras que rolam pelas redes sociais.