Todos os posts de pitangadigital

ELEIÇÕES NOS EUA: TRUMP derrota HILLARY. O que esperar das eleições brasileiras?

Por Alessandra Verch.

Surpreendendo e contrariando o que as últimas pesquisas indicavam, Donald Trump venceu Hillary Clinton nas eleições presidenciais norte-americanas por uma margem apertada. Surpreendendo alguns, mas não Michael Moore. O cineasta anteviu o desfecho dessa rinha de galo ainda em Julho deste ano quando em um editorial publicado originalmente no HuffPost US e traduzido e publicado no HuffPost Brasil afirmou que Donald Trump ganharia as eleições a serem realizadas quatro meses depois. Para sua “mediunidade” se amparou em 5 motivos relevantes. São eles:

1 – O cinturão Industrial dos Grandes Lagos que compreende os estados do Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. A região quebrou devido a políticas comerciais desastradas dos democratas e desde de 2010, embora fosse reduto democrata, vinha elegendo governadores republicanos. Trump foi na jugular e ameaçou as empresas automobilísticas com interesses de sair da região rumo ao México em buscas de “vantagens” produtivas com a singela taxa de 35% sobre carros comercializados nos EUA oriundos do México. Os trabalhadores vibraram.  “De Green Bay a Pittsburgh, isso, meus amigos, é o meio da Inglaterra: quebrado, deprimido, lutando. As chaminés são a carcaça do que costumávamos chamar de classe média. Trabalhadores nervosos e amargurados, que ouviram mentiras de Ronald Reagan e foram abandonados pelos democratas”, escreveu Moore.

PIMBA!

Trump não só venceu em Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin, como levou quase todos os estados da porção central dos EUA. Texas (nenhuma surpresa), Kansas, Nebraska, Missouri, Oklahoma, Loisiana, Mississipi, Alabama, Kentucky, entre outros, deram a vitória a Trump. O republicano ainda venceu em todos, sim, T-O-D-O-S os estados do sul da costa leste, isso inclui a Flórida, meus queridos. Lembram daquele chão de terra dos EUA que mais parece uma extensão da América Latina? Sim, pasmem. Trump perdeu apenas em quatro estados na região central: Minnesota, Illinois, Colorado e Novo México; nos estados do norte da costa leste: Maine, Nova Hampshire, Massachusetts, Connecticut, Nova Jersey, Rhode Island, Delaware, Maryland, Nova York,Vermont e Virgínia; e na Costa oeste.

2 – Trump encarna o ideal romântico do homem-branco-trabalhador-que-venceu-na-vida contra as “modernidades” que colocam em risco o “sereno” domínio masculino sobre a família nuclear, “a base de uma nação que prospera”. Ah, o passado. Nada mais acalenta a alma do homem branco desempregado e falido que vê sua virilidade ruir ao se perceber lavando a louça enquanto sua mulher trabalha para sustentar a casa do que a idealização de um passado que não viveu. “Antigamente é que era bom” e a síndrome de Meia-noite em Paris em busca de um fantasma inatingível.

3 – Hillary Clinton. Ela mesma. A candidata que melhor representa o mainstream do sistema político estadunidense. Embora mulher, era ela que representava o status quo da classe política. “O quê? Não, você está delirando, seria uma ruptura, pela primeira vez uma mulher seria A presidentA dos EUA”. Desculpe-me, trago verdades. O fato de Hillary ser mulher é apenas um detalhe. A candidata da família Clinton incorpora a figura típica do político tradicional cujos elementos principais são ambição em dose tripla e sem gelo, todo o oportunismo que existe no mundo e um tonel de vaselina. Lamentavelmente (?), ao que tudo indica, esses elementos não são tendência. “Ela representa a política de antigamente: faz de tudo para ser eleita. É por isso que ela é contra o casamento gay num momento e no outro está celebrando o matrimônio de dois homens”, afirmou Moore.

Aí vocês perguntam: “Como assim? O fato dela representar a política de antigamente a prejudicou, mas o Trump representar o ideal de antigamente o beneficiou?” Exatamente. Trump é um outsider. Um sujeito ogro e nada erudito que nunca se candidatou a nada e conseguiu incorporar aquele já machucado e desacreditado“americam dream”. É fácil entender. Basta perceber que uma coisa é o eleitorado e outra coisa (cada vez mais descolada deste, inclusive) é o sistema político. Hillary era o sistema político. Trump era o eleitorado. Ambos antiquados. Ambos distintos.

Pois é…

Já disse que Hillary perdeu na Flórida?

4 – O eleitor deprimido de Bernie Sanders. Traduzindo para o “brasileiro”, o eleitor deprimido do PT, ou seja, aquele que evidentemente vai votar no candidato do partido mesmo que ele já tenha 120 anos e uma dicção de não causar inveja, mas não peça para ele ir de graça para alguma esquina para tremular euforicamente bandeiras do partido enquanto distribui flyers e conversa entusiasmadamente com prováveis eleitores. Ele não vai. Aliás, ele não tem mais vontade nem de convencer a mãe. Sorry.

5 – O efeito Jesse Ventura, aqui conhecido como “só de raiva, vou votar nele”. “Lembra nos anos 1990, quando a população de Minnesota elegeu um lutador de luta livre para governador? Elas não o fizeram porque são burras ou porque Jesse Ventura é um estadista ou intelectual político. Elas o fizeram porque podiam. Minnesota é um dos Estados mais inteligentes do país. Também está cheio de gente com um senso de humor distorcido — e votar em Ventura foi sua versão de uma pegadinha no sistema político”, lembrou Moore.

Sim, senhoras e senhores. Trump não se elegeu presidente da mais poderosa nação do mundo porque o eleitorado norte-americano é imbecil e nas horas vagas pasta feito gado. Assim como João Dória não se elegeu prefeito de São Paulo pelos mesmos motivos. Ambos representam o self-made man, são outsiders que não pertencem ao campo político. Segundo o cientista político André Marenco, “o homem político […] vem perdendo espaço para outsiders que ingressam na política mais tarde, após uma vida profissional já estabelecida, conquistando sua cadeira parlamentar sem a necessidade de percorrer todas as escalas da carreira e de um longo estágio no interior de organizações partidárias” (ler na íntegra aqui). Marenco se deteve nas eleições legislativas para sua análise, mas agora, ao que tudo indica, os outsiders estão mais ambiciosos e almejam as principais cadeiras do Executivo.

Isso deve acender a luz vermelha para a ala progressista brasileira muito satisfeita em adjetivar o eleitorado. Grite, chame de burro, chore, esperneie. Mas, depois do chilique, levante-se e olhe para os lados, Maomé. A montanha está no mesmo lugar e é você que deve ir até ela. O Haiti É aqui e os EUA também.

As eleições nos EUA evidenciam um fenômeno que parece ser global. O esgotamento do discurso de esquerda e o distanciamento dos partidos progressistas do eleitorado. O eleitor e a eleitora estão saturados de discursos ideológicos que não oferecem (ou parecem não oferecer) soluções práticas para os problemas de âmbito local. Pouco importa para o desempregado de Ohio ou para a Dona Maria do Realengo se o político é neoliberal ou social-democrata. O que eles querem saber é quem pavimentará as suas ruas e quem impedirá que empresas sumam de suas cidades levando consigo os empregos. Diante disso a esquerda (aqui e lá), além de ter falhado com o/a eleitor/a ao não resolver em definitivo problemas recorrentes, se viu envolvida em uma série de problemas de corrupção – com cobertura seletiva, claro, mas nada surpreendente para quem não atende pelo nome de Pollyanna e entende minimamente como os conglomerados de mídia se posicionam em disputas políticas  –  e com isso optou por um discurso pedagógico e defensivo. Defendendo e defendendo seu legado e lembrando a população que sempre existiu corrupção. (UAU, que alívio). A ala conservadora se lambuzou.

Os grupos políticos progressistas entraram em cena prometendo moralizar o sistema e solucionar os problemas da população. Falharam vergonhosamente ao menos na primeira promessa. Como um pêndulo, o eleitorado volta-se, novamente, para a direita. Não porque já esqueceram os prejuízos que ela causou, mas, principalmente, porque não conseguem mais diferenciar os grupos políticos. Na bem da verdade, o eleitorado encheu o saco, aqui e lá. Não à toa os principais vencedores dos pleitos eleitorais foi um tal de “Zé Ninguém”. Abstenções, nulos e brancos foram os verdadeiros winners. Mas claro, como diz a máxima “nenhum espaço de poder fica no vácuo”. Menor engajamento político? Maiores são as chances dos outsiders e seus discursos hodiernos (e muitas vezes patéticos). O sistema político democrático é um bandidinho de meia-tigela que foi pego em flagrante batendo carteira no centro da cidade: todos querem dar um peteleco nele.

Agora, as chances para a esquerda parecem ser apenas duas. Ou ela para de chorar feat brigar e aglutina em torno de um nome que consiga capitalizar o ódio do eleitorado com o sistema político brasileiro ou ela corre para forjar um partido 0km e lança candidatura de alguma figura de fora do sistema. Um ator global progressista bem sucedido quem sabe aka Capitão Nascimento. Porque agora é a vez dos outsiders. O político tradicional com seus códigos, técnicas, jeitos e trejeitos virou démodè. O candidato que mais murro der no sistema político e na figura do político tradicional vencerá. No Brasil, abre-se uma avenida para Ciro Gomes e seu jeitão de coronel sem papas na língua, mas pra isso ele ainda terá de perder qualquer resquício de vergonha que tiver e descer abaixo do nível do mar, porque abre-se uma Transamazônica para figuras como Bolsonaro. É ele quem vai disputar com unhas e babas o título de rei dos insatisfeitos-com-tudo-que-está-aí nas próximas eleições brasileiras. Embora não seja um outsider, Bolsonaro não encarna a figura típica do político tradicional. Bolsonaro é o nosso Donald Trump. É ele que tem mais chances de capitalizar o eleitorado que quer dar uma voadora no sistema político. Ciro Gomes precisará lembrar constantemente ao eleitorado que na realidade Bolsonaro é raposa, ou lobo em pele de cordeiro: um sujeito que vive de política e não é a personificação da moralidade como costuma se vender (suas ligações com Eduardo Cunha não são de hoje).

Lembram-se das eleições de 2010 quando Dilma e Serra pareciam fazer cabo de força com a figura oculta de uma senhorinha missionária católica e quase a partiram no meio em pleno debate? Aquilo soará como uma ópera wagneriana perto do que virá. Erudição pura. Segurem-se em suas poltronas, o que está por vir é Casos de Família (com Christina Rocha!).

CRUZES

____________________

Se você curte a Pitanga e quer contribuir para a manutenção do blog, você pode fazer uma doaçãozinha qualquer para a conta a seguir. Ajuda vai! Vamos manter o blog vivo!

Banco do Brasil
AG: 1899-6
Conta: 44.565-7
Alessandra G. Fagundes Verch
(cpf: 011.083.270-10)

Bandido bom é bandido morto?

Por Alessandra Verch.

Lembram do Marcos Rogério dos Santos Guedes, o Porcão, um dos líderes dos “bala na cara”? Sabem onde ele está?
Na vala.

Lembram do Willian da Silva de Mello, o Nego Blade, investigado por pelo menos 5 homicídios? Sabem onde ele está?
Na vala.

Lembram do casal Kellen Monteiro Dorneles e Luis Antônio Rosa da Fé, o dindinho? Sabem onde eles estão?
Na vala.

Lembram do Anderson Henriques da Silva, preso por assalto e roubo de veículo? Sabem onde ele está?
Na vala.

Júlio César de Moura Santana, assaltante e homicida?
Na vala.

Cláudio Eduardo Bandeira da Silva, traficante, assaltante e homicida?
Na vala.

Fabiano Lemos, traficante e homicida?
Na vala.

Gérson Renato Dias Fagundes, o Gersinho?
Na vala.

Diego Pavelak, o Morto?
Na vala.

Os suspeitos pela morte de mais uma mãe na capital gaúcha?
Na vala, amanhã ou depois.

Não estão vendo?

Eles nasceram na vala.

Quando a gente cansar de matar e morrer poderíamos sentar e discutir políticas públicas. “Mandar pra vala” não está resolvendo.

Teste cego de Direitos Humanos

Se eu fosse do Marketing da Direitos Humanos Inc., eu providenciava, imediatamente, um Comercial com um teste cego do produto. Ele seria apresentado por alguma celebridade global popular, tipo Thiago Lacerda (era adolescente nos anos 90 e ainda tenho aquela revista Querida em que ele aparece na banheira).

Enfim…

No copo 1 teria um suco de Direitos Humanos com:

TRABALHO
EDUCAÇÃO
SAÚDE
LAZER
ESPORTE
MORADIA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
IGUALDADE SOCIAL
JUSTIÇA
AMPLA DEFESA
PAZ
PROGRESSO
AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS
SUSTENTABILIDADE
LIBERDADE
PROCON
E
INTERNET GRÁTIS

No copo 2 teria um mistura de “bandido bom é bandido morto” com:

LINCHAMENTOS PÚBLICOS
EXECUÇÃO DE GAYS
MULHER VADIA MERECE SER ESTUPRADA
COMUNISTAS METRALHADOS
FEMINISTAS QUEIMADAS
MARXISTAS ASSASSINADOS
ARMA
ARMA
ARMA
MAIS ARMA
UMAS BALAS PERDIDAS
e uma gravação do Alexandre Frota falando TOP TOP TOP TOP

A pessoa teria que – vendada, óbvio – experimentar os dois sucos. Aí o Thiago Lacerda perguntaria:

– E então qual você mais gostou????

Se a pessoa dissesse:
– O COPO 1 CLAROOOO

Sirenes tocariam, balões cairiam do teto, musiquinha, purpurinas e mais purpurinas, vibração, euforia…

Thiago Lacerda, então, diria:
– Parabéns, você acaba de ganhar uma viagem com tudo pago e com todos os ingredientes do suco de Direitos Humanos para a Noruega (ou Dinamarca, Finlândia, Suécia…enfim, qualquer país com IDH alto). Tá feliz??

– SIIIIMMMM. NOSSA. QUE EMOÇÃO

Maaaas se a pessoa dissesse:
– UHUUUU É COPO 2!! Bandido bom é bandido moooorrr

Cai direto na Síria.

Peninha do racismo

Por Bruna Stephanou.

Não entendo da conjuntura futebolística e tenho sérios problemas em relevar fanatismos por times, então vou me ater ao preconceito racial na mídia que se prestou a divulgar o caso do goleiro aranha. Sim, desculpem-me, estou atrasada no assunto, mas não achava que havia mais ângulo a ser explorado nessa história, até que…

O jornalista Eduardo Bueno, mais conhecido como Peninha, chamou minha atenção em uma declaração infeliz. Revelou seu pensamento de que o goleiro Aranha havia demorado muito para perdoar a menina que o chamou de macaco.

Olha, sei que o jornalismo está longe de ser imparcial e que muitas opiniões são dadas sem perguntas acerca das mesmas (como eu faço aqui, por exemplo), mas temos que desmembrar essa questãozinha aí!

Centenas de anos de escravidão, outras centenas de anos de discriminações, marginalizações e violências e esse jornalista branco vêm dizer que um negro demorou muito pra perdoar uma menina branca que o chamou de macaco porque Gandhi perdoou todos seus torturadores?! Tu tá de brication comigo? Qual é o tempo que voismicê acha justo? Meia horinha, tá bom?

Está fácil chegar à unanimidade de que esta declaração, além de compactuar com o preconceito no sentido de ignorar o negro como ser possuidor de sentimentos (acha exagerado? Reflita.), também favorece com o desvirtuamento da atenção, passando a tratar os agentes da situação como meros personagens de uma má história.

Não quero nem saber se vocês sentem pena da garota, ou se Peninha sente peninha da garota. Ela cometeu um crime previsto na Constituição Federal de 88, e peninha não é atenuante de crime algum. Depois, as merdas que ela falou, sinceramente, problema é dela não do Aranha.

Peninha não cometeu crime nenhum, mas foi de caso bem pensado, um declarante de insensibilidade, amoralidade e extrema falta de ter o que falar. Não sei vocês, mas Gandhi perdoou seus agressores, Aranha demorou pra perdoar a menina, Peninha não perdoou Aranha e eu não perdoei Peninha. Ponto.

Cultura de gênero em ilustrações, o projeto Man Meets Woman de Yang Liu

Por Alessandra Verch.

Os estereótipos de gênero estão em pauta no projeto Man Meets Woman, novo livro da editora Taschen (disponível apenas nos EUA, por enquanto).

O livro explora, através de ilustrações minimalistas da artista Yang Liu, as diferenças culturais existente entre os sexos. A artista de 38 anos usa as imagens para evidenciar as desigualdades de gênero e os estereótipos culturais que criam papéis específicos para homens e mulheres.

As ilustrações referentes ao universo masculino e feminino postas lado a lado mostram de forma contrastante como ambos sexos se enxergam e, também, em como são vistos socialmente.

O livro estará disponível a partir do dia 6 de outubro, e não tem lançamento previsto para o Brasil, mas pode ser encontrado em sites como a Amazon.

Enquanto o livro não chega por essas bandas, dá uma olhada em algumas das ilustrações que mostram as disparidades culturais entre os sexos, ou seja, a cultura de gênero:

1-810x505 3034703-inline-i-2-tk-gender-stereotypes-illustrated-in-playful-pictograms illustrazione-tratta-dal-libro-man-meets Man-meets-Woman-Yang-Liu-Feeldesain06 Man-meets-Woman-Yang-Liu-Feeldesain07 o-BEST-WEAPON-facebook 001-128_YANG_LIU_MAN-WOMAN_VA_LITHO_GB_04622.IND7 001-128_YANG_LIU_MAN-WOMAN_VA_LITHO_GB_04622.IND7 001-128_YANG_LIU_MAN-WOMAN_VA_LITHO_GB_04622.IND7 001-128_YANG_LIU_MAN-WOMAN_VA_LITHO_GB_04622.IND7