Teste cego de Direitos Humanos

Se eu fosse do Marketing da Direitos Humanos Inc., eu providenciava, imediatamente, um Comercial com um teste cego do produto. Ele seria apresentado por alguma celebridade global popular, tipo Thiago Lacerda (era adolescente nos anos 90 e ainda tenho aquela revista Querida em que ele aparece na banheira).

Enfim…

No copo 1 teria um suco de Direitos Humanos com:

TRABALHO
EDUCAÇÃO
SAÚDE
LAZER
ESPORTE
MORADIA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
IGUALDADE SOCIAL
JUSTIÇA
AMPLA DEFESA
PAZ
PROGRESSO
AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS
SUSTENTABILIDADE
LIBERDADE
PROCON
E
INTERNET GRÁTIS

No copo 2 teria um mistura de “bandido bom é bandido morto” com:

LINCHAMENTOS PÚBLICOS
EXECUÇÃO DE GAYS
MULHER VADIA MERECE SER ESTUPRADA
COMUNISTAS METRALHADOS
FEMINISTAS QUEIMADAS
MARXISTAS ASSASSINADOS
ARMA
ARMA
ARMA
MAIS ARMA
UMAS BALAS PERDIDAS
e uma gravação do Alexandre Frota falando TOP TOP TOP TOP

A pessoa teria que – vendada, óbvio – experimentar os dois sucos. Aí o Thiago Lacerda perguntaria:

– E então qual você mais gostou????

Se a pessoa dissesse:
– O COPO 1 CLAROOOO

Sirenes tocariam, balões cairiam do teto, musiquinha, purpurinas e mais purpurinas, vibração, euforia…

Thiago Lacerda, então, diria:
– Parabéns, você acaba de ganhar uma viagem com tudo pago e com todos os ingredientes do suco de Direitos Humanos para a Noruega (ou Dinamarca, Finlândia, Suécia…enfim, qualquer país com IDH alto). Tá feliz??

– SIIIIMMMM. NOSSA. QUE EMOÇÃO

Maaaas se a pessoa dissesse:
– UHUUUU É COPO 2!! Bandido bom é bandido moooorrr

Cai direto na Síria.

Peninha do racismo

Por Bruna Stephanou.

Não entendo da conjuntura futebolística e tenho sérios problemas em relevar fanatismos por times, então vou me ater ao preconceito racial na mídia que se prestou a divulgar o caso do goleiro aranha. Sim, desculpem-me, estou atrasada no assunto, mas não achava que havia mais ângulo a ser explorado nessa história, até que…

O jornalista Eduardo Bueno, mais conhecido como Peninha, chamou minha atenção em uma declaração infeliz. Revelou seu pensamento de que o goleiro Aranha havia demorado muito para perdoar a menina que o chamou de macaco.

Olha, sei que o jornalismo está longe de ser imparcial e que muitas opiniões são dadas sem perguntas acerca das mesmas (como eu faço aqui, por exemplo), mas temos que desmembrar essa questãozinha aí!

Centenas de anos de escravidão, outras centenas de anos de discriminações, marginalizações e violências e esse jornalista branco vêm dizer que um negro demorou muito pra perdoar uma menina branca que o chamou de macaco porque Gandhi perdoou todos seus torturadores?! Tu tá de brication comigo? Qual é o tempo que voismicê acha justo? Meia horinha, tá bom?

Está fácil chegar à unanimidade de que esta declaração, além de compactuar com o preconceito no sentido de ignorar o negro como ser possuidor de sentimentos (acha exagerado? Reflita.), também favorece com o desvirtuamento da atenção, passando a tratar os agentes da situação como meros personagens de uma má história.

Não quero nem saber se vocês sentem pena da garota, ou se Peninha sente peninha da garota. Ela cometeu um crime previsto na Constituição Federal de 88, e peninha não é atenuante de crime algum. Depois, as merdas que ela falou, sinceramente, problema é dela não do Aranha.

Peninha não cometeu crime nenhum, mas foi de caso bem pensado, um declarante de insensibilidade, amoralidade e extrema falta de ter o que falar. Não sei vocês, mas Gandhi perdoou seus agressores, Aranha demorou pra perdoar a menina, Peninha não perdoou Aranha e eu não perdoei Peninha. Ponto.

Cultura de gênero em ilustrações, o projeto Man Meets Woman de Yang Liu

Por Alessandra Verch.

Os estereótipos de gênero estão em pauta no projeto Man Meets Woman, novo livro da editora Taschen (disponível apenas nos EUA, por enquanto).

O livro explora, através de ilustrações minimalistas da artista Yang Liu, as diferenças culturais existente entre os sexos. A artista de 38 anos usa as imagens para evidenciar as desigualdades de gênero e os estereótipos culturais que criam papéis específicos para homens e mulheres.

As ilustrações referentes ao universo masculino e feminino postas lado a lado mostram de forma contrastante como ambos sexos se enxergam e, também, em como são vistos socialmente.

O livro estará disponível a partir do dia 6 de outubro, e não tem lançamento previsto para o Brasil, mas pode ser encontrado em sites como a Amazon.

Enquanto o livro não chega por essas bandas, dá uma olhada em algumas das ilustrações que mostram as disparidades culturais entre os sexos, ou seja, a cultura de gênero:

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Sobre eleição e vitimização: as fragilidades de Marina Silva

Por Alessandra Verch.

Há alguns dias, a presidenciável Marina Silva está vendo suas intenções de votos caírem, enquanto Dilma experimenta subida nas mesmas pesquisas. Marina que tinha vantagem de 10% no 2º turno, agora está em empate técnico, com uma vantagem pequena de 1%. Se em função da desproporcionalidade do tempo de propaganda eleitoral disponível para ambas ou por outra variável é difícil predidizer, a questão é que Marina e seus simpatizantes agora vêm afirmando que o PT está realizando uma campanha do medo, atacando sua imagem, utilizando-se de “baixarias” e a difamando. Ou seja, realizando uma campanha violenta contra ela semelhante a enfrentada por Lula na disputa presidencial de 2002. 

Primeiro erro de Marina

Seus simpatizantes e a própria candidata ao fazerem essas acusações se acuam sem demonstrar onde está a difamação. O PT, de fato, está esmiuçando suas falas, suas declarações, suas ações políticas e o seu projeto de forma dura a fim de sair vitorioso no pleito eleitoral. Falta à Marina mostrar onde está a baixaria que tanto enxerga. Falta à Mariana Ir para o embate e aceitar que eleição não é conversa de comadre.

Todavia, ironicamente, quando Marina vem a público dizer que o PT escolheu uma pessoa para roubar a Petrobras durante 12 anos, a mesma não enxerga “baixaria” em suas atitudes. Marina proferiu uma opinião radicalizada com o intuito evidente de enfraquecer sua oponente e seu partido. Assim, emitiu um juízo de valor que encontrou eco no eleitorado que pretende conquistar. Sua afirmação não corresponde a nada além de sua legítima opinião. Não é fato inconteste, é nada mais do que percepção. Não poderíamos atribuir a isso a pecha de baixaria? Agora, por que afinal o PT está sendo “baixo” e Marina está sendo “elevada”? Porque o PT é contra a independência do banco central e utiliza o seu espaço legítimo para argumentar, justificar e, sim, dramatizar seu posicionamento? Porque (agora) se posiciona a favor da criminalização da homofobia e questionou duramente o comportamento de Marina ao se dobrar a 4 tuítes de um pastor evangélico? Isso não é desmoralizar uma pessoa, isso é banal em um embate político, em que cada lado utiliza e explora as fraquezas do outro e defende com argumentações contundentes o seu posicionamento.  Marina parece errar sistematicamente ao escolher estratégias frágeis e incoerentes em sua campanha, apelando sempre para a piedade do eleitorado ao mostrar-se frágil e indefesa diante dos “velhos tubarões” da política. 

Segundo erro de Marina

Marina tenta se colocar em situação favorável frente a seu eleitorado ao se equiparar a Lula, tanto em seu projeto quanto na perseguição sofrida. Por ingenuidade, má assessoria ou erro tático, a candidata acreditou nessa estratégia para retirar votos de Dilma e não calculou o que parecia ser o desfecho evidente: obrigar Lula a entrar de vez no jogo e negar veemente a equiparação.

Lula estava à margem da disputa, não havia se manifestado de forma contundente e em certo ponto até parecia que não iria participar ativamente da campanha. Entra em cena motivado, fundamentalmente, pelo uso político de sua imagem que a opositora de sua candidata fez. Ora, Lula está vivo, emite seus juízos, era óbvio que a partir do momento que Mariana tentasse capitalizar seu capital político ele entraria em cena para defender seu partido, seu projeto político e, claro, sua candidata frente à tentativa da oponente de enfraquecê-la. Tentativa ingênua de Marina, reação óbvia de Lula. Foi Marina quem estimulou a entrada decisiva de Lula ao tentar desviar parte do capital político dele para si, o evocando sistematicamente e usando recursos discursivos para se vender como a herdeira legítima do “governante com a maior taxa de aprovação da história da democracia brasileira”. Ingenuidade acreditar que Lula permitiria tal usurpação. Aliás, até permitiu, mas só até o exato momento em que isso começou a desfavorecer Dilma.

Terceiro erro de Marina

Ao invés de utilizar seu escasso tempo para construir sua imagem, justificar seus posicionamentos e MOSTRAR o erro adversário, Marina numa estratégia imatura se satisfaz em afirmar que está sendo perseguida pelo PT e por Lula (aquele que ao que parece deveria amá-la). Ao se negar a realizar o debate, a candidata se vitimiza e acumula mais um erro em sua campanha. E Dilma cresce e Marina cai.

“Estão usando de baixaria. É baixaria dizer que a independência do Banco Central gerará fome e desemprego”, acusam. Pois essa é uma conclusão amplamente difundida por diversos economistas. Presentes em várias teses econômicas. Evidentemente, há economistas plenamente a favor da independência. Faz parte do jogo. Economia é política também. Há diversos economistas favoráveis à medida e outros diversos economistas contra. Escolhemos um lado, argumentamos nosso ponto de vista e refutamos o do adversário. Ponto. Não se trata de baixaria, trata-se do debate necessário para conhecer os candidatos. A baixaria está na fuga do debate ou na tentativa de despolitizar a política.

Como assim despolitizar a política?

Eis o quarto erro de Marina. Ao se auto-atribuir o status de “novo”, da candidata “certa”, da “mudança”, da “esperança”, quando seu projeto é tal qual o projeto implementado por FHC ou ainda mais radical (idêntico as medidas conhecidas como Consenso de Washington – ou neoliberais[1] que FHC não levou a cabo plenamente), Marina despolitiza o debate. Esconde-se atrás de adjetivações vazias que visam produzir uma pretensa neutralidade e assim negar o conflito. Política é conflito, negar isso é uma baixaria. É impossível ser contra e a favor a Reforma Agrária. É impossível ser contra e a favor a tributação sobre grandes fortunas. É impossível levantar a bandeira ecológica saciando os interesses de latifundiários e da indústria do agrotóxico. “O cobertor é curto”, já disse Dilma. Marina não parece representar o novo, nem tampouco o certo, Marina representa um projeto político específico e bem conhecido, mas ao se negar informar ao eleitor que projeto é esse a candidata despolitiza o debate.

Bater e correr do embate, usurpar a imagem de político vivo e em lado oposto para se fortalecer, ter síndrome de perseguição em uma disputa eleitoral para chefe de Estado e afirmar que agradará a “gregos e troianos” transformam Marina em uma candidata que parece estar na fina flor da adolescência. Seus oponentes estão fazendo o que era esperado: mostrar as fragilidades de Marina. Mais do que isso, é DEVER deles fazê-lo para que a população conheça suas opções.

Aécio merece mais o segundo turno…


[1] Para saber mais sobre as medidas neo-liberais clique aqui

Explicando o inexplicável

Por Bruna Stephanou.

Antes de mais nada, exponho de onde parto, para não haver dúvidas quanto a minha intenção. Meu ideal político social é o anarquismo, no entanto não sou egoísta. Reconheço a importância de políticas públicas para aqueles que não possuem muitas alternativas.

Não espero que alguém se paute nesse texto pra escolher seu candidato, pelo contrário, isso seria trágico. Apenas demonstro um ponto de vista crítico alegando o que é perceptível nos debates, propagandas e manifestações diversas por aí. Vamos aos candidatos:

Aécio Neves:

Neto de Tancredo Neves, incentivado pelo avô a entrar na política. As manifestações públicas do candidato são pachorras e não o salvam. Tá muito mal assessorado, atirando pra todos os lados. No desespero, tadinho, deixa o cara. Na real to com pena dele (não, não vou levar pra casa). Ele também é neto de Tancredo, já disse isso?

Dilma Rousseff:

Quem está na reeleição sempre paga pelos erros do antigo mandato, mesmo que os ganhos sejam maiores. Tem gente que não reconhece, mas a maioria não reconhece pelo simples fato de não gostar do PT e ponto.  Tipo birra. Sua oratória é ruim e falar com cara de braba não ajuda. Braba não é a mesma coisa que séria. Alguém avisa a moça? E quando tenta ser simpática? Não rola.

Eduardo Jorge:

Totalmente excelente do meu ponto de vista ideológico. Preenche bem os requisitos humanistas, mas não tenho certeza se daria conta da podridão que é exercer política nesse país, no presente, e estamos no fucking presente. Vamos admitir que se ele assumisse seria um caos? Toda a corja passaria por cima dele em um segundo. Candidato que é candidato pensa nisso antes de se propor a representar seu país. Mas vai ver ele já sabe que só é aquele candidato necessário pra preencher a vaga do ingênuo bonzinho que não vai ganhar, mas vai conseguir falar algumas coisas em rede nacional.

Eymael:

Quem? Por que ele faz aquilo com as mãozinhas?

Levy fidelix:

Tudo bem que ele é um perdedor convicto, então já deve estar conformado para essa eleição. Não quero gongar mais ainda o cara. Ganhou muito dinheiro interpretando o chefe do Jetsons. Já tá de boa na vida.

Luciana Genro:

Até quando esse discurso do psol meu deus do céu? Deu de tacar pau nos outros, querida, tenho certeza que és capaz de criar uma fala que não termine com uma sentença agressiva contra a “mesmice” de outros partidos e afirmando que estás aí para “inovar”. Como farão isso? É muito louvável lembrar assuntos pouco tocados, sério, but what the fuck means to your propostas????

Santa, explica pro povo que estudou até a quarta série, trabalha feito mula pra sustentar a família e vai no culto toda semana fazer a fezinha  pra se livrar das desgraceras da vida, o que chongas é capital financeiro?! O dia que tu conseguir tu tá dentro.

Marina Silva:

A candidata da mudança, não para de mudar a louca. Não tem mais nem graça falar mal dela. Mas ficar dizendo que tá com medo tá proibido. O medo foi privatizado pela Regina Duarte durante os gloriosos anos FHC. Quem quiser sentir medo vai ter quebrar o pescocinho pra direita e fazer carinha de Helena de Manoel Carlos, isso tudo depois de pagar as taxas referentes ao copyright.

Poxa continuam matando o Eduardo Campos, mas não podemos matar a atenção dada à esta criatura? Eu que não vou ficar mudando de lado, sou contra Marina em qualquer circunstância.

Mauro Iasi:

Compartilho de seus interesses, mas nem sei o que dizer, sinceramente.

Pastor Everaldo:

Deus nos salve desse apocalipse! Quem se diz representante de deus nas eleições não deve ser considerado, pois a política é a lei dos homens, não divina. Ainda por cima, vamos reiterar que o estado é laico? Obrigada.

Rui Costa Pimenta:

Esse cara é nosso ex colega chato nas cadeiras de humanas que atrapalhava toda aula pra dar discurso, sabe? Total anos 90…

Zé Maria:

Não para de tentar não, queridão. Vai lá que um dia rola.

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