Arquivo da categoria: De Buñuel a Máquina Mortífera

Quinto e mais polêmico teaser de Nymphomaniac é divulgado

Por Alessandra Verch.

Ao contrário dos quatro teasers anteriores, o quinto teaser de Nymphomaniac divulgado não é tão, digamos, “comportado”. Isso porque nas cenas apresentadas anteriormente o sexo era apenas sugerido, mas agora o diretor revela algumas das várias cenas de sexo explícito (ou quase isso) já prometidas.

Tendo como trilha sonora uma música clássica, a jovem Joe (Stacy Martin) faz sexo com dois personagens, em distintos momentos. Um deles é Jérôme (Shia LaBeouf), que já tinha aparecido no teaser 2.

O teaser 5 intitulado “The Little Organ School” é descrito como “Um prelúdio coral de Bach: Três vozes, cada uma com sua própria personalidade, mas em completa harmonia. Em outras palavras: POLIFONIA”. No vídeo, a tela está dividida em três partes e vemos cenas aparentemente desconexas, mas com coerência entre elas para produzir distintas sensações: da excitação ao medo.

Sem título

O vídeo já foi retirado do youtube por violar os Termos de Serviço do site, mas ainda é possível vê-lo aqui. Nymphomaniac não tem data de estreia definida no Brasil, mas deve chegar aos cinemas ainda na primeira metade de 2014.

Se ainda não conferiu os outros quatro capítulos, dá uma olhada:

Veja o vídeo “5 coisas legais que podemos fazer nas redes sociais”

Por Alessandra Verch.

Sem títuloQuem nunca se deparou com certos monstrinhos nas redes sociais que com menor discordância em uma discussão qualquer já disparam suas metralhadoras de intolerância e desrespeito? Pois é, a violência e o cyberbullying parecem estar cada vez mais comuns e foi pensando nisso que a Pitanga Digital e a Brava Filmes produziram a animação “5 coisas legais que podemos fazer nas redes sociais”.

O vídeo sugere que usemos mais aquelas famosas carinhas (emoticons) nas redes para não cairmos em armadilhas discursivas e entrarmos no ciclo sem fim de discussões agressivas com pessoas que sequer conhecemos.

Confere aí a animação “5 coisas legais que podemos fazer nas redes sociais” e compartilhe essa ideia:

30 anos sem Buñuel

Por Alessandra Verch.

Luis Buñuel Portolés era um dos sete filhos de Leonardo Buñuel González e María Portolés Cerezuela. Buñuel nasceu em 22 de fevereiro de 1900 em Calanda, Teruel (Espanha) e é considerado um expoente da sétima arte. O diretor está no rol do cineastas mais importantes da história do cinema e, também, mais polêmicos.Luis Buñuel_2Buñuel, apesar de ser espanhol, desenvolveu sua carreira na França, para onde mudou-se em 1925 a fim estudar cinema e trabalhar, e no México, para onde partiu, em 1946, após morar nos EUA. No México, além de fixar residência, Buñuel se naturalizou cidadão mexicano.

De família abastada, o ainda jovem Buñuel muda-se para Saragoça onde estuda em um Colégio Jesuíta, o que influenciará o seu posterior posicionamento anticlerical e ateu. Em 1917 parte para Madrid para estudar. Lá convive com diversos artistas e realiza uma verdadeira imersão intelectual em várias escolas artísticas contemporâneas, como o dadaísmo e o surrealismo. É em Madrid, na famosa Residência dos Estudantes, que Buñuel conhece o pintor Salvador Dalí e o poeta Federico García Lorca, entre outras personalidades da chamada Geração de 27 (grupo espanhol de poetas e outros artistas vanguardistas que durou de 1923 a 1927).luis-bunuel-022891137-zoomSua primeira incursão nas artes teatrais foi em 1921 quando montou, com García Lorca e Dalí, uma paródia de Don Juan Tenorio (drama romântico publicado 1844 por José Zorrilla). Os três estudaram juntos durante algum tempo e muito se especula sobre a relação homoafetiva de Lorca (homossexual assumido) com Dalí e a não aceitação de Buñuel, reconhecido, também, por seu machismo contumaz.dali-moreno-villa_-luis-bunuel_-lorca_-rubio-sacristan

Dalí, Buñuel e Lorca são o primeiro, o terceiro e o quarto, respectivamente, da esquerda para a direita.

É nessa mesma época que Buñuel organiza as primeiras sessões do primeiro cineclube da Espanha, além de colaborar com alguns poemas para revistas Ultra e Horizon. Em 1925, Buñuel muda-se para Paris. Lá entra para a Academie du Cinema e começa a trabalhar com realizadores renomados, como Jean Epstein. Logo depois, escreve seu primeiro roteiro em homenagem ao primeiro aniversário da morte de Goya. No entanto, o projeto não pôde ser realizado por falta de financiamento. Em 2 de abril de 1929, começou a filmar, com a colaboração de seu (até então) fiel amigo Salvador Dalí, o que se tornaria seu filme mais conhecido e um verdadeiro manifesto surreal: O Cão Andaluz (Un chien Andalou), um filme mudo de 17 minutos que foi realizado graças a um empréstimo feito por sua mãe.

Em 1930, Buñuel dirige A idade de Ouro (L’Âge d’Or), filme produzido pelo visconde de Noailles que teve sua estreia em Paris marcada por enorme escândalo e comoção. A idade de Ouro teve, inclusive, sua exibição suspensa devido a reação de parte da população parisiense ao contundente ataque a moral e aos costumes da época. Foi durante a produção de A idade de Ouro que a amizade entre Buñuel e Dalí foi abalada devido a antipatia de Buñuel para com Gala Éluard, a polêmica musa inspiradora e companheira de seu amigo. Muito embora Dalí tenha colaborado com o filme, seu nome não consta nos créditos.dali-e-galaEm 1938, Buñuel parte para os EUA, onde conhece Charles Chaplin, Dolores del Río, Eisenstein, entre outros. Em 1941 passa a trabalhar para o Museu de Arte Moderna (MoMA) como conselheiro e chefe de montagem. Buñuel, que já havia se afastado do surrealismo, se aproxima cada vez mais de movimentos comunistas e passa a colaborar com a Associação de Escritores e Artistas Revolucionários. Em 1942, Dalí publica suas recordações “secretas” e relata o ocorrido durante as filmagens de A idade de Ouro, além de evidenciar (em tom de denúncia) a simpatia de Buñuel para com o comunismo. Dalí, à época, surpreendentemente, se mostrava um defensor da ditadura ultradireita de Francisco Franco, na Espanha.Buñuel dali 1933Em 1946, Buñuel é obrigado a partir para o México devido a perseguição aos comunistas nos EUA. No México, após uma breve temporada filmando comerciais, o artista retoma sua carreira e se recupera artisticamente, em 1950, com Os esquecidos (Los Olvidados). O filme rodado na periferia da Cidade do México retrata o cotidiano de um grupo de jovens marginalizados cujo futuro é trágico. Com Os esquecidos, Buñuel levou o prêmio de melhor diretor de Cannes, em 1951. Um ano após filmar Os esquecidos, o diretor começa a produzir uma série de filmes de evidente protesto social e de sóbrio realismo.

Em 1961, ele volta para a Espanha onde roda Viridiana. O filme foi bem recebido no Festival de Cannes, ganhando a Palma de Ouro, mas gerou descontentamento e ataques do Vaticano pela paródia aos valores cristãos tecida na película. Ironicamente, o filme foi promovido pelo regime de Franco junto ao Festival e após sua apreciação um pouco mais atenta o mesmo foi proibido na Espanha.

O Oscar de melhor filme estrangeiro veio com O discreto charme da Burguesia (1972).

Recentemente, Woody Allen retratou de forma cômica, em Meia-Noite em Paris (2011), a busca pela verdadeira idade de ouro nas artes. Diversos artistas que tiveram suas obras marcadas pela convívio enriquecedor com a cidade luz e seus habitantes foram expostos no filme, entre eles estão Buñuel e Dalí. Dá só uma conferida:

O último filme de Luis Buñuel foi Esse obscuro objeto do desejo, de 1977, rodado na Espanha e na França. Em 29 de julho de 1983 Luis Buñuel morreu na Cidade do México, aos 83 anos de idade.

Filmografia (como Diretor):

1977 Esse Obscuro Objeto do Desejo (França/Espanha)

1974 O Fantasma da Liberdade (Itália/França)

1972 O Discreto Charme da Burguesia (França/Itália/Espanha)

1970 Tristana, Uma Paixão Mórbida (Espanha/Itália/França)

1969 O Estranho Caminho de São Tiago (França/Itália)

1967 A Bela da Tarde (França/Itália)

1965 Simón del desierto (México)

1964 O Diário de uma Camareira (França/Itália)

1962 O Anjo Exterminador (México)

1961 Viridiana (Espanha/México)

1960 A Adolescente (México/EUA)

1959 Os Ambiciosos (França/México)

1959 Nazarin (México)

1956 La mort en ce jardin (França/México)

1956 Cela s’appelle l’aurore (França/Itália)

1955 O Rio E a Morte (México)

1955 Ensaio de Um Crime (México)

1954 Aventuras de Robinson Crusoé (México)

1954 Escravos do Rancor (México)

1954 A Ilusão Viaja de Bonde (México)

1953 O Alucinado (México)

1953 O Bruto (México)

1952 Mulher Sem Amor (México)

1952 Subida ao Céu (México)

1951 La hija del engaño (México)

1951 Suzana, Mulher Diabólica (México)

1950 Os Esquecidos (México)

1949 El gran calavera (México

1947 Gran Casino (México)

1937 Coração de Soldado (co-diretor) (Espanha)

1936 A Menina Raptada (co-diretor) (Espanha)

1933 Las Hurdes (documentário de curta-metragem) (Espanha)

1930 A Idade do Ouro (França)

1929 Um Cão Andaluz (curta-metragem) (França)

 

Blue Jasmine, novo filme de Woody Allen, já tem recorde de bilheteria

Após longa temporada filmando na Europa, Woody Allen retorna a sua terra natal com seu mais recente filme, Blue Jasmine.

Por Alessandra Verch.blue_jasmine_poster

Blue Jarmine é estrelado por Cate Blanchett (Jasmine) e Alec Baldwin (Hal). Jasmine é uma socialite em crise que vê sua fortuna ser reduzida a “um casaco Chanel, malas de grife e um punhado de antidepressivos”, como disse Mary Milliken para Reuters Brasil, devido as “aventuras financeiras” de seu marido. Com isso, a protagonista é obrigada a mudar-se para São Francisco para morar com sua irmã (Sally Hawkins) em uma casa modesta e distante dos requintes de sua luxuosa mansão. Jasmine acaba conhecendo um homem que poderá resolver seus problemas financeiros.

A crise da protagonista é o retrato de uma época do país, onde centenas de milionários tiveram suas fortunas reduzidas a pó devido às fraudes e aos escândalos financeiros. O filme já foi caracterizado como brilhante e, ao mesmo tempo, como o mais cruel da carreira do renomado diretor. O tom de Blue Jasmine parecer ser mais trágico do que o habitual.

O longa já teve um bom retorno financeiro nesse primeiro final de semana em cartaz. Segundo a Sony Classics, distribuidora de Blue Jasmine, a arrecadação, até agora, foi de US$ 612,7 mil (R$ 1,3 milhão), número surpreendente para um circuito de exibição limitado, o filme estreou em apenas seis salas dos EUA. Essa é a maior arrecadação inicial que um filme de Allen já teve e resulta em uma média US$ 102 mil por cinema. Para se ter uma ideia, em 2011, Meia-Noite em Paris,maior sucesso de bilheteria do diretor, arrecadou em seu primeiro final de semana uma média de US$ 99,8 mil por sala de exibição. Essa é uma excelente notícia visto que o baixo retorno financeiro e o alto custo de produção dos filmes nos EUA foi o que obrigou Woody Allen a rodar na Europa.

Nos EUA, Nova York era a cidade constantemente escolhida para ser palco das produções do diretor. Woody já produziu verdadeiras obras-primas na cidade, como Noivo neurótico, noiva nervosa(1977), Manhattan(1979) e Crimes e pecados(1989). No entanto, o diretor já declarou, anteriormente, que Nova York é cara demais e que o mesmo não pode mais pagar pelos custos de produção de lá, filmar fora do país é, então, a solução. Desde 2005, com Match Point, Allen vem filmando em diversas cidades europeias. Até agora, sete filmes europeus foram produzidos. Em 2009, Woody já havia voltado aos EUA para dirigir Tudo pode dar certo. Agora, o diretor retorna ao seu país mais uma vez, mas aterrissa em São Francisco.

Blue Jasmine está programado para chegar às salas brasileiras no dia 11 de outubro. Mas, para quem já está curioso dá uma conferida no trailer disponível:

 

Balanço do Festival de Cannes 2013: conheça os filmes vencedores

Por Alessandra Verch.Cannes 2013 PosterNo último domingo (26), um dos maiores festivais de cinema do mundo encerrou sua 66ª edição. O Festival de Cannes 2013 teve como grande vencedor o filme La vie d’Adele (A vida de Adèle), uma coprodução entre França, Bélgica e Espanha. Dirigido pelo cineasta franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, o filme recebeu a disputadíssima Palma de Ouro do Festival.

La vie d’Adele retrata o vida de duas garotas adolescentes que se apaixonam. Adele (Adele Exarchopoulos) é uma garota que sai com garotos e não questiona sua sexualidade, mas tem sua vida alterada na noite em que conhece Emma (Lea Seydoux), uma jovem de cabelos azuis que faz com que Adele descubra seu desejo por garotas, a fazendo crescer e afirmar-se como mulher.La vie d'adeleLa vie d’Adele é um adaptação livre de uma HQ de Julie Maroh e, de acordo com a agência France Press, contém as cenas sexuais mais apaixonantes entre duas mulheres já vistas em Cannes. Kechiche disse, após a exibição do filme em Cannes, que não teve receio de expor o amor lésbico entre duas adolescentes. O diretor acabou conquistando a crítica com um retrato nada caricato e bastante profundo das protagonistas da trama.

Rodado em Lille, norte da França, o drama teve os direitos vendidos para um distribuidor americano, apesar das três horas de duração. O título em inglês ficou Blue is the Warmest Colour, referência à cor dos cabelos de Emma.Steven Spielberg, que liderou o júri desta edição do festival, afirmou que o prêmio é o reconhecimento “pela excelência de três artistas: Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux e Abdellatif Kechiche”. “Nós nos sentimos privilegiados de assistir a esse filme, e não incomodados (…) É a história de um amor profundo, magnífico. O diretor usou uma narrativa ousada. Ficamos encantados com o filme, com as atrizes formidáveis. O diretor permitiu que as personagens realmente ganhassem vida”, declarou Steven Spielberg durante a entrevista coletiva, realizada após a cerimônia de encerramento. “Não é a política que nos influenciou, mas o filme”, ainda declarou Spielberg. As duas atrizes e o diretor agradeceram pela Palma de Ouro extremamente emocionados. Uma triste coincidência: ontem, dia da entrega do prêmio, ocorreu, em Paris, uma grande manifestação contra o casamento homossexual.

Nas outras entregas da noite, os prêmios de melhor ator e atriz ficaram, respectivamente, com o americano Bruce Dern (A separação), por sua atuação em Nebraska, filme dirigido por Alexander Payne (Sideways – entre umas e outras e Os descendentes) , e com a argentina Bérénice Bejo (O Artista), por sua interpretação em Le Passé, do iraniano Asghar Farhadi.

Os irmãos Coen, com sua aguardada obra Inside Llewyn Davis faturaram o Grand Prix. O filme retrata de forma nostálgica e bem humorada a cena musical folk do Greenwich Village, no início dos anos 60. A trama acompanha uma semana desolada na vida do cantor folk Llewyn Davis, que luta para obter reconhecimento (para saber mais clique aqui). Oscar Isaac, que vive o protagonista da trama, subiu ao palco para receber o prêmio.

A nova produção do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn (Drive), Only God forgives, que participou da mostra competitiva de Cannes, foi bastante vaiada na quarta-feira (22) em sua primeira exibição destinada à imprensa. O público não concordou com as cenas de violência, julgadas gratuita, e o preciosismo estético utilizado para explorar uma história dramática. Curiosamente, Only God forgives era um dos mais aguardados filmes desta 66ª edição do festival, tendo em vista que com Drive o dinamarquês levou o prêmio de melhor diretor, em 2011. Protagonizada por Ryan Gosling (que não compareceu ao festival) e Kristin Scott Thomas, o novo longa de Refn conta a história de Julian, que vive em Bangcoc, e vinga o assassinato de seu irmão (para saber mais clique aqui).

Entre os fatos inusitados que marcaram esta edição do Festival está a prisão de um homem na última sexta-feira (17) por dar tiros com balas de festim na Orla de Cannes. Os tiros fizeram com que os atores Christoph Waltz e Daniel Auteuil saíssem correndo assustados, interrompendo uma entrevista ao vivo que ambos concediam ao Canal+, da TV francesa.

Veja a lista completa dos premiados do 66º Festival de cinema de Cannes:

Palma de Ouro (coletiva): Abdellatif Kechiche (diretor), Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux (protagonistas) por A vida de Adèle;

Grande Prêmio : Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen

Prêmio de interpretação feminina: Bérénice Bejo por seu papel em Le passé;

Prêmio de interpretação masculina: Bruce Dern por seu papel em Nebraska;

Prêmio de melhor diretor: Amat Escalante por Heli;

Prêmio de melhor roteiro: Jia Zhangke por Tian Zhu Ding (A touch of sin);

Prêmio do Júri: Like Father Like Son, de Hirokazu Koreeda;

Câmera de Ouro: Ilo ilo, de Antony Chen (Cingapura);

Palma de Ouro de curta-metragem: Safe de Byoung-Gon Moon (Coreia do Sul)

Mostra ‘Um Certo Olhar’

Prêmio ‘Um Certo Olhar’: L’image manquante, de Rithy Panh.

Prêmio do Júri de ‘Um Certo Olhar’: Omar, de Hany Abu-Assad.

Prêmio melhor diretor de ‘Um Certo Olhar’: Alain Guiraudie, por L’inconnu du lac.

Prêmio do futuro: Fruitvale Station, de Ryan Coogler.

Prêmio de interpretação: Karen Martínez, Brandon López e Rodolfo Domínguez, protagonistas do filme La jaula de oro, de Diego Quemada-Díez.