Tumores, dores e amores: “A culpa é das estrelas”

Por Dannie Karam.

Você tem um tumor. Agora vejamos a gravidade dele”. Funciona mais ou menos assim. Claro que na maioria dos casos, acredito que os médicos tenham um pouco mais de sensibilidade do que o senhor que me atendeu, mas é mais ou menos isso mesmo. E quando você é adolescente, a palavra “tumor” soa ainda mais fora de lugar do que o normal. Eu sei disso porque passei por isso. Mas antes que você me admire como uma sobrevivente do câncer, devo avisar que graças a Deus, minha doença não foi grave.

Ela me fez, porém, conhecer mais do que eu gostaria sobre o assunto. Exames e mais exames em máquinas que incomodam só de olhar, clínicas de oncologia pediátrica e conversas de sala de espera que mexem com qualquer pessoa. E tudo isso acontecendo ENQUANTO a vida acontece normalmente, afinal de contas você ainda está aqui e precisa mais do que nunca se conectar a isso. Deve ter sido estes pontos que me conectaram à Hazel Grace, personagem principal de “A Culpa é das Estrelas”, de John Green.

Conforme prometido na semana passada, quando falei de “Cidades de Papel”, fiz a leitura desta outra obra do autor e entendi porque ele tem se tornado best seller em toda publicação que lança. Pra começo de conversa, achei uma ótima ideia ter invertido a ordem das obras. Como “A Culpa é das Estrelas” tem uma linguagem ainda mais fácil de absorver, passar de uma obra para a outra fez com que eu me familiarizasse ainda mais com a escrita de Green. Além disso, a temática bem mais objetiva desta obra, e a minha própria experiência no assunto, me conectaram ainda mais que a primeira.

Acontece que Hazel Grace tem câncer. Não é spoiller, como aqueles filmes onde a mocinha é incrível porque vai morrer o mês que vem. Ao contrário. Hazel Grace convive com o câncer. É presente na vida dela diariamente, literalmente impregnado até em sua forma de respirar. Você nem precisa de muitas páginas para descobrir isso. Mas mesmo assim, recomendo que você não leia a “orelhinha” do livro, pois tem uma informação que acaba com o clima do livro. Então continue comigo!

Hazel pertence a um grupo de apoio a jovens com câncer, mas não é muito fã do processo não. Faz, como algumas outras coisas, para proteger a mãe super protetora de ainda mais preocupações. Um belo dia, porém, conhece uma pessoa que vai fazer a reunião valer à pena, e a partir deste encontro, vai mostrar mais de si mesma e conhecer mais de outros personagens que fazem valer a leitura deste livro por pessoas de todas as idades.

Um tantinho cruel em algumas observações e com um humor que depende da total isenção de piedade de nossa parte, “A Culpa é das Estrelas” é o tipo de livro que faz você querer saber o que acontece. Faz você pensar em como a vida é realmente aquilo que nós fazemos dela e principalmente, faz com que a gente agradeça pelas coisas positivas que temos e pelas pessoas com quem podemos contar.

Recomendo a leitura não só porque me lembrou de todo um processo um pouquinho delicado, mas porque é possível que você tenha um pouco dessa experiência muito válida e positiva sem precisar necessariamente passar por ela. A não ser, é claro, através deste delicioso e emocionante romance.

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