A mídia e o casamento gay

1178168_54262801Por Dannie Karam

Os cartórios foram proibidos de negar o casamento homossexual, e também precisam agora reverter a união estável de casais homoafetivos em casamento.”. O tanto de negativas e de obrigatoriedades do coitado do cartório deu até pena. Foi assim que a mídia divulgou a decisão do CNJ sobre a regulamentação do casamento homossexual no Brasil. E independente do que você ou eu achemos a esse respeito, ficou nítido como a mídia ainda quer pregar o padrão papai-mamãe de felicidade.

Só eu poderia sugerir umas dez outras formas de fazer a chamada para a matéria. Imagina então o que não poderia fazer um homossexual? Algo como “direitos finalmente garantidos” ou “é proibida a discriminação à casais homossexuais em cartórios” talvez poderia soar bem melhor, em minha humilde opinião. Tá, tudo bem. Mas e daí? O que isso afeta na minha vida, aqui, que contra ou a favor, continuou absolutamente a mesma depois dessa notícia?

O que afeta é, que de forma bem subliminar, nossos veículos, nossa sociedade e nossos pensamentos ainda são muito preconceituosos. Ainda vitimam todos aqueles que já podem, teoricamente, ter uma vida normal, e colocam aqueles que são oprimidos como os baderneiros. A nossa mídia, principalmente, ainda fala dos grupos que sofrem como aqueles que bagunçam tudo na lei e na ordem da vida para conseguirem o que querem, muito provavelmente porque não tem a menor ideia de como é viver privado de um mínimo de direitos.

E desta forma, continuamos educando e crescendo como preconceituosos embutidos. Percebi isso há algum, quando comecei a acompanhar uma página alternativa em prol das mulheres. Notei que sempre fui muitíssimo machista para uma mulher. Eu não via como uma roupa muito curta, por exemplo, não deveria influenciar em nada a atitude de um homem sobre o corpo de uma mulher. Eu já era do tipo “se está usando, aguenta o tranco”, o que é um verdadeiro absurdo. Mas isso é assunto pra uma outra hora.

O foco é mostrar que a mídia, o governo e a sociedade têm sim o poder de nos censurar. Não só da forma clássica, de bloquear a nossa liberdade de expressão, mas principalmente quando entendemos que expressão também é pensamento. Somos diariamente educados para pensar de forma A ou B, quando engolimos este tipo de manchete, regada a muita “postura” e “educação” dos jornalistas.

O que aprovaram recentemente não foi um novo dever do cartório. Foi uma conquista de uma população oprimida. Que continua sendo oprimida, e que tem sua opressão minimizada nas capas e aberturas de jornais. Um povo que sofre até mesmo quando consegue seu espaço. Não foram os pobres cartórios que foram injustiçados. Foram os homossexuais que conquistaram direitos. Porque ainda que você odeie o fato de que existam homossexuais, acredite que eles não sejam humanos, ou qualquer outra baboseira que você tem o direito de pensar, nada dá a mim ou a você o direito de impedir o direito do outro.

Definitivamente, precisamos entender que ninguém pode estar errado por querer alguma coisa que você pode fazer de forma livre. Livre de julgamentos, de impedimentos e das censuras de uma mídia conservadora.

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