Adorável Cinema: Bem-vindo, de Philippe Lioret

Por Alessandra Verch.

Bem-vindo (título original Welcome) é um adorável filme francês de 2009.Pôster WelcomeA história narra a trajetória do jovem curdo Bilal que está completamente apaixonado e fará de tudo para rever sua amada, na Inglaterra. Bilal (interpretado por Firat Ayverdi) consegue chegar à França de forma ilegal, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. Tendo em vista as políticas de imigração europeias, a opção que se mostra mais acessível é atravessar o canal da mancha a nado para reencontrar sua paixão. No entanto, esse jovem sequer sabe nadar. Seu desejo parece uma sandice, mas sua vontade aguerrida cativa e emociona a todos. Um libelo ao amor.Welcome O jovem contará, então, com a ajuda de um professor de natação, Simon (Vincent Lindon), que lhe dá auxílio e moradia para não ser deportado. A jornada é longa , mas o garoto é persistente. Na sua trajetória, acaba por mudar a vida de várias pessoas, principalmente a de Simon. O professor está separado, mas ainda ama sua ex-esposa. Ele mora na mesma cidade que ela e é incapaz de expressar, ou melhor, lutar por seus sentimentos, reconquistar seu amor. Os valores, a força de vontade e a dedicação do ingênuo rapaz o modificam profundamente.

Embora a história centre-se na paixão, no amor e na superação de obstáculos, o pano de fundo, extremamente bem trabalhado, são as políticas de imigração. Bilal fugiu de seu país de origem, Iraque, por causa da guerra. No entanto, nenhum país o recebe de forma digna. Na França tem que enfrentar as noites frias para conseguir um prato de comida oferecido por pessoas que se solidarizam com a situação indigna que vivem milhares de imigrantes.

O pano de fundo é importantíssimo para a narrativa e é explorado de forma elegante, sem discursos didáticos. O problema da imigração é colocado de forma crua. Não vemos defesas expressas de políticas mais justas, nem críticas exacerbadas à política adotada. Em Bem-vindo vemos as consequências das políticas, vemos a forma como o macro atinge o micro, como a sociedade (e todas as suas estruturas de poder) atuam sobre o indivíduo. Somos convidados, não a fazer julgamentos de valor, mas a nos emocionar com os seres humanos e com suas complexas vidas.

Bem-vindo é um filme extremamente triste e ao mesmo tempo adorável. Nada parece gratuito no filme. Diante de um roteiro cativante, a direção e os atores se entregam de forma a nos envolver nos dramas dos personagens. Mesmo a ideia irreal de atravessar a nado o canal da mancha não soa, em momento algum, como infeliz ou cômica, soa, contudo, como um desespero emocionante, um grito que precisa ecoar. Bilal quer atravessar o gélido Canal da Mancha, pois distante do calor de seu amor nada o aquece, nada o conforta. Ele não possui um chão, uma terra, resta-lhes apenas os laços que mantém de forma fervorosa.welcome1Embora, como dito acima, o filme não se preste a dar lições de moral ou formular críticas ferrenhas às políticas de imigração francesas do governo conservador de Sarcozy (pelo menos não de forma direta, e sim de forma elegantemente sutil), o drama gerou um impacto tão grande que um projeto de lei para acolhimento de imigrantes, encaminhado ao Senado, recebeu o nome de Welcome, me referência ao filme.

A direção de Bem-vindo é de Philippe Lioret. O belíssimo roteiro é uma parceria do diretor com Emmanuel Courcol e Olivier Adam. Anteriormente, Lioret já havia dirigido o também adorável Não se Preocupe, Estou Bem! (Je vais bien, ne t’en fais pas). No elenco, além dos já citados e excepcionais Vincent Lindon e Firat Ayverdi, ainda temos Audrey Dana, interpretando Marion, a ex-mulher de Simon, e Derya Ayverdi, que interpreta Mina, a paixão de Bilal.

Uma curiosidade: Firat Ayverdi e Derya Ayverdi são irmãos e foi Derya quem indicou Firat, que não era ator, para o papel de Bilal.

Entre os prêmios que o filme recebeu estão os prêmios no Festival de Berlim 2009 (Panorama, Júri Ecumênico e Lable Europa Cinemas) e o prêmio LUX 2009, para o cinema europeu.

Para quem ainda não viu, confere aí o trailer e bora ir atrás:

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