Adorável cinema: Um bom ano, de Ridley Scott

A Good Year-18Por Alessandra Verch.

O dinheiro ou a paixão? O dinheiro ou sua vida? Esse é o enredo por trás do adorável filme de Ridley Scott, Um bom ano (A good year), de 2006.

Russell Crowe é Max Skinner um londrino bem sucedido homem de negócios. Max trabalha no mercado financeiro de Londres e é um workaholic que tem em sua rotina estressante o seu maior vício. Vida muita distante da educação que recebeu, o jovem Max (Freddie Highmore) foi educado por seu tio Henry (Albert Finney) em um bucólico e lindo vinhedo em Provence, na França. Max foi ensinado a apreciar um bom vinho e a usufruir da tranquilidade da vida bucólica, ensinamentos que o tempo o fez esquecer, mas que é obrigado a relembrar quando recebe a notícia do falecimento de seu tio. Max é o único herdeiro do vinhedo e precisa viajar a França para o acerto dos detalhes burocráticos e da venda do imóvel.

Max não só viaja para Provence, mas viaja, também, para seu passado. Como já era esperado o workaholic se deixa apaixonar (ou se reapaixona) pela beleza e tranquilidade do local. É lá que ele reencontra uma antiga paixão. Fanny Chenal, interpretada por Marion Cotillard, o deixa ainda mais confuso.

O filme está sintetizado em uma das cenas finais, quando Max é chamado para uma reunião com seu chefe, Sir Nigel. Ao entrar na sala, Max depara-se com um quadro de Van Gogh na parede, “espero que tenha uma boa fechadura na porta”, diz ele a seu chefe de forma irônica. No entanto, ele é retrucado, “não seja bobo, não é o original, o autêntico está em meu cofre”. Sir Nigel, então, oferece ao seu funcionário uma proposta. Quando Max retorna para informar sua decisão é, imediatamente, interpelado, “qual é sua decisão, o dinheiro ou sua vida?”, pergunta o chefe. Max responde com perguntas, “quando o vê, Nigel? O autêntico [o quadro de Van Gogh]. Quando o olha? Vai até aonde o guarda à noite apenas para vê-lo?”. As perguntas são metáforas e fazem referência ao dilema central do filme, aproveitar a vida ou apenas guardá-la em um cofre?A good YearUm bom ano explora diversos antagonismos corriqueiros e de fácil identificação. Tem-se o passado versus o presente, o dinheiro versus a paixão, o urbano versus o bucólico, enfim, diversos dilemas que se impõem ao personagem principal e que apreciamos enquanto voyers da vida alheia, degustando um pouquinho de tudo sem ter de nos limitar às escolhas que competem ao personagem. Aliás, a escolha é o de menos, como o enredo é delicioso não nos importamos com o tempo, é um delicioso passeio por distintas atmosferas. A excitação da vida corrida e da rotina de trabalho no mercado financeiro londrino dá lugar as belíssimas locações e a beleza sufocante dos vinhedos franceses, tudo isso regado a vinho e a lições de como produzi-lo, precisa mais alguma coisa?

O elenco de Um bom ano conta com a participação de atores de vários países, como Russel Crowe, da Austrália, Marion Cotillard, da França e Freddie Highmore, Albert Finney e Archie Panjabi, da Inglaterra. O filme foi rodado em Londres e em diversas cidades francesas, entre elas Gordes, Marselha, Avignon.

Um bom ano é baseado no livro homônimo de Peter Mayle que foi lançado em 2004. O escritor não só é amigo do diretor Ridley Scott, como faz um agradecimento especial a ele, na abertura de seu livro, pelo incentivo recebido. O livro centra-se de forma mais rica no universo da produção de vinho e é uma excelente dica para quem aprecia o tema, mas o filme não fica para trás. Aliás, se em um roteiro temos belas locações, vinhedos, produção e degustação de vinhos é difícil não termos um bom filme. Explorar com elegância a arte dos vinhos no cinema é quase jogo baixo, o filme torna-se, imediatamente, adorável (Sideways – entre umas e outras é outro jogo baixo).

Um bom ano é isso, elegante e saboroso. O filme ainda conta com uma fotografia impecável, contrastando as cenas frias de Londres, com as cenas quentes e aconchegantes das cidadezinhas de Provence.

Muitos acham Um bom ano um filme bobo, mas quem aprecia belas locações e, principalmente, vinhos não pode deixar de vê-lo. Pode até ser que Um bom ano seja um filme bobo, mas, se assim for, é um filme saborosamente bobo.

 

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