Crítica de cinema: O lado bom da vida, o lado bom do filme

Por Alessandra Verch.

O-Lado-Bom-da-Vida

Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) é um homem com transtorno bipolar que acaba de sair do hospital psiquiátrico. Pat foi internado após quase matar o amante de sua mulher. Sai do hospital sem mulher, sem emprego, sem casa e, então, volta para a casa de seus pais. Tiffany (Jennifer Lawrence) é uma jovem viúva que (após a morte de seu marido) faz sexo com quase todos seus colegas de trabalho, por isso é despedida. Ambos se conhecem em um jantar promovido por um amigo de Pat. O resto é evidente.

O lado bom da vida, novo filme de David O. Russell, é previsível como toda comédia romântica. O filme segue a risca as lições do gênero. É superficial, é bobo, é fácil, é divertido, é bom de ver. No entanto, talvez, só seja bom de ver por fugir de alguns (poucos) lugares comuns.

Os protagonistas em O lado bom da vida não são tipos sedutores, são pessoas problemáticas com transtornos de personalidades sérios, ora são cômicos, ora são constrangedores. O personagem de Pat é o mais coerente e verossímil, está afundado tanto em seu desejo de reconquistar a sua ex-esposa, quanto em crises psicóticas bastante convincentes. Bradley Cooper surpreende, de fato, com sua interpretação. Jeniffer Lawrence não me convenceu, não tanto pela sua atuação, mas pelo seu papel. Tiffany é uma personagem muito fraca, pois, teoricamente, sofreu muito com a perda do marido, porém, se interessa por Pat já na primeira cena em que o vê. Essa “paixão” instantânea torna seu sofrimento estéril e pouco convincente, apenas um recurso com a finalidade de forjar uma compatibilidade entre o casal (claro que no livro essa aproximação é melhor trabalhada). Não é um casal comum, é um casal problemático. Essa é a estratégia do roteiro, visto que quase tudo já foi utilizado no gênero.

JENNIFER LAWRENCE and BRADLEY COOPER star in SILVER LININGS PLAYBOOK

O lado bom do filme fica a cargo do personagem Pat, tanto sua construção em termos de roteiro, quanto a interpretação concedida a ele por Cooper. Pat é o centro do filme, são dele as cenas mais engraçadas do filme e é ele quem consegue tirar boa parte da chatice típica dos filmes desse gênero. Jennifer Lawrence se esforça, mas não consegue salvar uma personagem tão fraca quanto Tiffany, mesmo assim sua atuação lhe rendeu o Oscar de melhor atriz. Ok, de fato, está bem, principalmente numa das últimas cenas do filme, a do concurso de dança (mas ainda acho pouco). Robert De Niro interpreta o pai de Pat e como sempre está excepcional e consegue transformar qualquer personagem medíocre em pessoas convincentes.

A direção de David O. Russel não chama atenção por suas falhas. O diretor usa de forma coerente as lições dadas por Truffaut e Cassavetes. Explora com sabedoria os travellings in durante as crises de Pat, a fim de buscar uma imersão na psicologia do personagem, assim como, a câmera na mão, evidenciando e materializando a instabilidade das relações. Direção de fotografia, direção de arte, figurinos, tudo ok. É o mínimo que se espera de uma produção como essa.

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Técnica e dramaturgicamente, O lado bom da vida é um filme bom, é o possível a ser feito com um roteiro fraco. Uma história moralizante sobre duas pessoas problemáticas que descobrem no amor o melhor remédio para seus males. Tudo se reduz a uma ode ao amor e a família. Um final feliz óbvio desde o início, mas recheado de cenas hilariantes e de boas atuações. São essas diversas cenas que o tornam, portanto, um filme gostoso de ver. Por isso valeu o ingresso.

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