Santa Maria – O que também não esqueceremos

midia

Camila Konrath

Hoje fez um mês da tragédia que aconteceu na casa noturna de Santa Maria, vitimando 239 jovens. Isso é o que todos já sabemos, um horror que preferíamos esquecer para acalentar o sofrimento e a dor. Ainda assim, não podemos esquecer as reflexões que devemos manter acesas para que mudanças necessárias aconteçam, não apenas no interior das casas noturnas inadequadas, mas dentro de nós mesmos.

Este texto é um pedido de reflexão sobre o que consumimos (principalmente na televisão) de material jornalístico que explora o sofrimento alheio sem dó, porque, vejam: o lucro fala mais alto. Atentem por exemplo, para o fato de que tudo que não for serviço de utilidade pública vira publicidade. Sobre como, e durante tantos dias, a pauta desta tragédia foi tratada; por que assistimos tantos depoimentos de pessoas que mal conseguiam falar; e por que vimos tantas fotos impublicáveis, casos em que nunca existiu o resguardo e o respeito às vitimas e suas famílias.

É tanta necessidade de gerar audiência com o assunto, que vemos gráficos (como os do link abaixo) em grandes portais de notícia, mostrando um cálculo da quantidade de “anos potenciais de vida perdidos”. Um número que não diz nada e nada revela, baseado em critérios nada precisos, ao contrário do que diz a frase abaixo do gráfico “o que estes dados revelam”.

http://estadaodados.com/html/santamaria/

Este é apenas um exemplo pequeno do tudo que já foi feito sobre o assunto, pois tivemos que nos deparar até com perfis superficiais das vítimas em capas de portais de notícias. Então, aproveitemos este momento de reflexão para pensarmos, além da atenção às casas noturnas que entrarmos, além do que parece uma injustiça do mundo diante de tantas vidas interrompidas, sobretudo no quanto essa informação que estamos consumindo e legitimando agrega algo ou nos conscientiza de alguma forma. Sem esquecer da parte que cabe aos profissionais, o convite à reflexão sobre conscientização social e sobre a necessária clareza para definir os critérios que justifiquem a utilização deste tipo de material é importante para todos. Não podemos nos submeter a esta prática e nem alimentá-las. O sofrimento não deveria ser televisionado de forma tão irresponsável.

Um texto mais antigo sobre a tragédia de Connecticut, evidencia a constante preocupação da Pitanga Digital com a cidadania, tecla que jamais deixaremos de bater: https://pitangadigital.wordpress.com/2012/12/18/uma-catastrofe-duas-tragedias/

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