Life of Pi x Max e os Felinos: plágio ou inspiração?

Camila Konrath

O romance Life of Pi, transformado em filme recentemente com o nome As Aventuras de Pi (leia a resenha do filme aqui), reacendeu um antiga discussão iniciada em 2002, quando o livro foi premiado. É que Life of Pi possui enorme semelhança com o livro Max e os Felinos, do escritor gaúcho, Moacyr Scliar. Em 2001, quando Yann Martel publicou o livro, ainda era um escritor desconhecido. Porém, em 2002 o livro venceu o Booker Prize, prêmio mais importante da língua inglesa, e o livro popularizou. A partir deste título conquistado, as polêmicas de que o escritor teria plagiado Moacyr Scliar no livro Max e os Felinos começaram. Segundo o autor de Life of Pi a semelhança é real, mas o desenrolar das histórias é completamente diferente. Além disso, Martel afirmou, na época, que não havia lido o livro até o surgimento da polêmica, apenas uma resenha negativa dele.

max_pi

Publicado em 1980 e traduzido em 1990, Max e os Felinos é composto por alguns contos. A história principal fala de um menino que foge da Alemanha nazista em um navio em direção ao Brasil. Após um naufrágio, o rapaz se salva em um bote junto com um jaguar. Na história, o jaguar é o símbolo da ditadura militar, um animal de difícil compreensão e que poderia ser violento a qualquer momento para saciar suas necessidades.

Moacyr Scliar reconheceu a semelhança de Life of Pi com sua obra, mas salientou que ganhou uma dedicatória do autor no prefácio e que não era uma pessoa “litigante”, não sentia-se inclinado a processá-lo. Por essa razão, dava o caso por encerrado. Há pouco tempo a discussão voltou a ganhar força com o lançamento do filme de Ang Lee, baseado na obra de Yann Martel sobre o suposto plágio. Porém, o escritor Moacyr Scliar negou que tenha sido plágio porque não houve cópia efetiva. Scliar contou os detalhes do caso neste vídeo promovido pela editora L&PM, em março de 2010.

A única certeza é que Martel escreveu Life of Pi por causa de Max e os Felinos, de Moacyr Scliar:

 

 

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13 opiniões sobre “Life of Pi x Max e os Felinos: plágio ou inspiração?”

  1. Yann Martel tentou justificar a semelhança referindo-se a uma suposta crítica negativa publicada por John Updike na New York Times Book. Porém, tanto o suposto autor da crítica quanto a revista negaram a existência da tal resenha negativa. Mais do que no filme de Ang Lee, a história de Max e os felinos/As aventuras de Pi está melhor representada pelo filme “As palavras” (The words), de 2012, cuja sinopse vai abaixo:

    “Rory Jansen (Bradley Cooper) é casado com Dora (Zoe Saldana) e trabalha em uma editora de livros. Ele sonha em publicar seu próprio livro, mas a cada nova tentativa se convence mais de que não é capaz de escrever algo realmente bom. Um dia, em uma pequena loja de antiguidades, ele encontra uma pasta com várias folhas amareladas. Rory começa a ler e logo não consegue tirar a história da cabeça. Logo ele resolve transcrevê-la para o computador, palavra por palavra, e a apresenta como se fosse seu livro. O texto é publicado e Rory se torna um sucesso de vendas. Entretanto, tudo muda quando ele conhece um senhor (Jeremy Irons) que lhe conta a verdade por trás do texto encontrado.”

    1. Olha, é difícil saber. Mas a história é muito estranha. E outra, esse livro polêmico do Martel faz muitas “referências” a outro livro renomado, que é O relato de Arthur Gordon Pym, do Poe, onde temos um naufrágio, disputas entre os sobreviventes, uma pequena embarcação a deriva, um sobrevivente que se chama Richard Parker e, pasme, o Tigre (que é um cão). Em determinado momento, entre ilusões e delírios de Arthur, por causa da fome, é a fúria de seu amigo Tigre (que tb estava faminto) que o mantém vivo (que é, basicamente, o enredo de Martel, com o detalhe que o Tigre é um tigre, ou melhor, não é tigre é ele mesmo, ai que confusão). Então, esse livro do Martel entrou para nossa lista de “coincidências estraaaanhas”. Aliás, conhece a história do nome Richard Parker?
      Nós escrevemos um textinho sobre isso > http://bit.ly/10vSVUs. Enfim, são muuuitas coincidências. Estraaanho! hehe
      Abs!
      🙂

  2. gente, as ideias nao sao pescadas no vacuo… toda ideia que vai parar no papel saiu de uma fresta de realidade… se foram as palavras que voce ouviu de sua vizinha ou uma frase que leu de um livro santo, a origem de tudo tem dono e nem por isto este dono passa a possuir a eternidade de suas palavras!!!!

    1. Concordamos, plenamente, Escritora. Mas nesse caso, como dito, achamos muito “estraaanho”, hehe. Não são apenas ideias, são personagens, narrativas, histórias, são muitas coincidências. É claro que tudo que vemos, ouvimos, lemos é “metabolizado” por nós e se transforma em algo novo, original (na medida do possível). As obras estão intrinsecamente ligadas com a trajetória da autora ou autor e suas referências, mas a sensação é que nesse caso a metabolização passou por alguns problemas. As referências estão em sua forma bruta. Essa sensação de “ué, mas eu já li isso em outro lugar” é desagradável. Semelhanças explícitas, na minha opinião, cansam um bocado e acabam por afetar minha percepção sobre a obra. “Esse é aquele escritor que tenta ser Bukowski, mas não é”. Originalidade é difícil, mas é importante o artista buscar a sua marca com honestidade intelectual. 🙂

      PS: O autor usou de arrogância semelhante para avaliar as duas grandes obras que se referencia. Martel definiu tanto O relato de Arthur Gordon Pi, quero dizer Pym, quanto Max e os Felinos, como obras menores, no primeiro caso disse que estava “longe de ser uma obra-prima” e no segundo lamentou que uma ideia tão boa fosse desperdiçada com um autor menor. Lamentamos nós a desonestidade intelectual do autor Yann Martel.

    1. Lee…Segundo a teoria literária, o livro pode ser tanto lido como uma novela com três capítulos, quanto como três pequenos contos interligados, onde cada capítulo é um conto. Abs!

    1. No filme, Richard Parker era o nome do antigo dono do tigre que o doou (ou vendeu) ao zoológico do pai de Pi. Mas por um engano de um funcionário, este nome passou a ser creditado ao animal, enquanto o proprietário ficou com o nome do tigre.

  3. Independentemente das discussões.. eu como so assisti o filme e fiquei sabendo das histórias posteriormente..nao tenho uma opinião formada sobre as polêmicas…mas quero Dxar meu comentário sobre o filme..ou seja..a história..seja lá qual o original autor..entao..excelente..me emocionei..q lição de vida q o tigre da..cada um interpreta da sua forma..eu vi tb como uma forma q não agradecemos quem amamos..quem nos deu vida..a parte q ele relata do pai q não teve chance de dizer obrigado…assim como o tigre indo embora sem olhar p trás.. vi como meu pai qdo morreu..nao tive chance de dizer eu te amo e obrigado por tdo.. eu vi a forma do tigre não olhar p tras p dizer a pi q acabou..a partir dali ele siga sua vida…q o papel dele foi de ser enviado por Deus p salvar sua vida até aquele momento..como na vida..para quem morre termina..para quem fica siga os ensinamentos de Deus…..e só valorizamos de verdade a vida qdo perdemos quem amamos..obrigado
    .

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